1 de jan. de 2008

ADENDO 1 - ECONOMIA (3-7) // Império Invisível das Finanças


O Jogo da Vida Real:
O preparo da Armadilha
(A Crise do "Petróleo" da "da energia")

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     Quando retrocedemos no tempo para buscar o nascimento de algum acontecimento, nos deparamos com a ingenuidade do Homem, levado a aceitar as palavras como realidades, emprestando-lhes um sentido tanto mais preciso quanto menos as compreende.
     Não há como existir sinal de competência num contexto de incompetentes. Então...
     Sem poder – ou saber – fazer quase nada, e no intuito de esmorecer os grandes debates e as verdadeiras aspirações, o guerreiro-líder trata de substituir a ação pela falação, seja nos setores públicos ou na administração dos setores privados. Ele sabe que basta fabricar termos modernosos, expressões ou palavras enganosas, as quais se farão passar por novas idéias, ideais, utopias, filosofias, paradigmas, e programas salvadores da Pátria.

A flor de amanhã está no grão de hoje." 
(Milenar provérbio chinês)

     Hoje é comum se esquecer que qualquer incompetente é capaz de complicar uma explicação ou uma idéia de produto; apenas o verdadeiro gênio tem competência para simplificar uma explicação, um produto ou serviço.

Ações estratégicas


     Base de suas ações estratégicas, o guerreiro-líder trata de fazer frutificar inúmeras expressões enganosas: justiça social, consolidação de dívidas, estabilização econômica, planos consistentes, transição democrática, segredos e razões de Estado, segurança nacional, governabilidade, metas de inflação, distribuição de renda, trabalho em equipe, sucesso do individualismo... Novos exemplos de fórmulas antigas e desgastadas, tais expressões enganosas são sempre empregadas para que se consiga que determinadas pretensões autocráticas sejam consideradas plenamente justificáveis, e tudo sem que tenhamos que fornecer as verdadeiras razões para elas.
     Esses enganos são dissecados em planejamentos, relatórios, manuais operacionais, decreto-lei, medidas provisórias, noticiários, seminários e em reuniões como sendo ações realmente válidas e até estratégicas, mesmo que jamais tenham apresentado qualquer efeito prático na eficiência de governos ou de empresas.
     A desinformação esconde todas as incompetências. O guerreiro-líder tem sempre em mente que, caso alguma palavra-chave venha a ser desmoralizada e detonada, basta que ela seja imediatamente substituída por uma nova expressão enganosa.
     É importante ressaltar que a História nos assegura que por trás de cada catástrofe política e financeira ou crise econômica existe sempre alguém, encastelado próximo ao poder constituído de cada Nação ou instituição, e que é desleal, traiçoeiro, mente à fé jurada, estando encarregado das pérfidas manobras que contribuem para o descrédito geral. Representando grupos de interesses, cada um desses infiéis está em todo o tempo, sendo financiado por algum outro país ou adversário, que, na realidade, pretende estabelecer um mercado cativo (fornecedor e/ou consumidor), ou se livrar de uma concorrência perigosa, ou assegurar o recebimento de determinados valores.

Seis momentos capitais

       Quase três séculos (de 1694 a 1980-82), eis o tempo percorrido entre o ideário e o planejamento estratégico de seis momentos capitais e a conclusão da primeira fase do jogo – o fecho da armadilha que tornou a Economia mundial absolutamente submissa às finanças.
     Com extrema facilidade, o guerreiro-líder põe em deslocamento os poderes políticos, militares, econômicos, financeiros, religiosos, tecnológicos, jornalísticos e culturais, até colocá-los, condicionados, na direção de um ponto único – a armadilha da derradeira submissão.
     É curioso observar que, em todo o tempo do jogo, cada lobby encontra-se deslumbrado com o que lhe parece configurar ou prefigurar o futuro. Cada um deles acredita que se basta a si mesmo!
     Chegar ao final do jogo, entendendo as regras e os estratagemas devem assegurar ao Participante alguma certeza mais confiável sobre o passado, os dias de hoje e o amanhã.
     Tudo ocorre em tamanho natural, no dia-a-dia de nossas vidas, e a síntese de cada um desses momentos extremos e decisivos, tem fundamentos extraordinariamente simples, a saber:

1) Endividamento mundial, 2) Ditadura do Capital (Monopólio privado), 3) Liquidez e ambição, 4) Terceira Partilha Mundial, 5) Ditadura dos Estados e Monopólios Públicos (empresas estatais), 6) Ditadura das Finanças – Ouro (crédito, petróleo e dólar).
Alguns desses momentos acontecem simultaneamente, interagindo.

Endividamento mundial

Banco da Inglaterra
     Primeiro Momento. Para submeter os poderosos dos Estados nacionais, o guerreiro-líder sabe que é preciso armar uma estratégia que assegure a amplificação do endividamento público aos extremos do descontrole. É fácil! Afinal, qual o governante que não tem problemas de liquidez?
     Em 1694, os ingleses fundam o Banco da Inglaterra, e logo inventam as Dívidas Nacionais ou Públicas. Rapidamente, Londres torna-se o primeiro centro financeiro do mundo.
     Tendo sido reinventado em 1816, o sistema monetário de padrão-ouro será novamente adotado (1821), não só pela Grã-Bretanha como pela maioria das nações capitalistas, e irá vigorar quase continuamente até a Primeira Guerra Mundial (1914). E para permitir que o padrão-ouro funcione automaticamente, sem qualquer interferência deliberada de qualquer autoridade pública, um sistema internacional de pagamentos é então organizado.
     Até 1914 bastou assegurar um longo período sem guerras que envolvessem mais de duas potências. Nestes cem anos é certo que só se deixou acontecer guerras relativamente curtas, e de impacto muito limitado sobre as economias envolvidas.
     Mais tarde, com o crescente endividamento também do setor privado e a implosão dos desequilíbrios financeiros, as crises e seus escândalos especulativos irão funcionar como compensação, explodindo sucessivamente a intervalos quase regulares, no início a cada 30 anos e, mais tarde, a cada dez... Cinco...  Afinal, desviar a atenção é fundamental para que o jogo de ioiô funcione com perfeição.

     O processo é bem assustador. Escândalos políticos e financeiros explodem e se propagam através do planeta, fazendo-nos lembrar um jogo fantástico entre defensores de ideais antagônicos. Cada uma dessas partidas geralmente acaba em guerra, quando vemos desfilar todas as formas de poder e, portanto, de abuso.
     No início do Século XX, em momento adequado para o guerreiro-líder, as duas devastadoras Guerras Mundiais, as revoluções e as infindáveis guerras civis liquidarão com o sistema de padrão-ouro.

Textos Originais publicados pela primeira vez em Março de 2001 - compilados do Banco de Dados do Autor.