1 de dez. de 2007

ADENDO 2a (1/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal





Parte: 1/5

Tradução e Definição de Marketing = Comercialização

A maior recompensa pelo trabalho não é o que a pessoa ganha,
mas o que ela se torna através dele.” (John Ruskin)

     Em maio de 1961, Comercialização foi aceita pela primeira vez como tradução de Marketing pelo “Dicionário de Propaganda”, em “Anuário de Publicidade de PN – Propaganda e Negócios”, que era publicação bem conceituada naquela época.

     Há mais de quatro décadas, a Associação Brasileira de Marketing (ABM), a Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o IAG PUC-Rio, o Centro de Estudos e Pesquisas da Faculdade Anderson, o Centro Candido Mendes de Marketing da Universidade Candido Mendes e que funcionava em convênio com a ABM, e o extinto Centro de Estudos Mercantis (All Brazil), entidade pioneira no ensino de Marketing por correspondência no Brasil, todas essas instituições sempre adotaram a palavra Comercialização como tradução de Marketing no conteúdo dos seus cursos e seminários. Uma segunda opção de tradução é Mercadologia, que não teve quase aceitação.

     Em 1977, a palavra Comercialização se consagra definitivamente, sendo incluída no título do 1º COMARK - Congresso Brasileiro de Marketing e Comercialização, patrocinado e organizado pela Associação Brasileira de Marketing (ABM), na administração Paulo Manoel Protásio, nos dias 16, 17 e 18 de maio daquele ano.

     As entidades seguintes participaram e apoiaram a realização do 1º COMARK: Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação das Associações Comerciais do Brasil, Confederação Nacional dos Diretores Lojistas, Associação de Exportadores Brasileiros, Associação Brasileira de Empresas Comerciais de Exportação, American Marketing Association, e International Marketing Federation.

     É importante que se deixe aqui registrado o que está dito desde 1977, há 34 anos, na Mensagem (Sul América Seguros) de contracapa dos Anais do 1º COMARK - Congresso Brasileiro de Marketing e Comercialização:

     “Mesmo todo o desenvolvimento econômico e social não conseguiu abolir as críticas porque vem passando o Marketing há muitos anos. Nos dias de hoje, apesar do progresso em muitos setores, o Marketing ainda é visto, pela grande maioria, como mero sinônimo de vendas ou, na melhor das hipóteses, como simples ‘processo de transporte de um produto acabado para um consumidor ansioso por possuí-lo’. Entretanto, à medida que o tempo passa, o Marketing vem afirmando sua importância como agente regulador da própria economia. Ele é fator estimulante nas economias em desenvolvimento, e como tal, encoraja à inovação. Mas não é só esse o seu mérito: o próprio aprimoramento de suas técnicas torna possível a integração econômica e a plena utilização e adequação de todos os fatos ativos e da capacidade produtiva de que uma economia dispõe, nas sociedades mais desenvolvidas. Pelo muito que ainda é de esperar desta atividade, entendemos que se deve emprestar o maior apoio às associações de classe que colaborem para a divulgação e desenvolvimento das técnicas de Marketing.”

     De 7 a 10 de setembro de 1978, em São Lourenço (MG), a Associação Brasileira de Marketing (ABM), administração Kléber Sá Rego, realiza o Encontro Nacional de Marketing, colocando em pauta o Conceito de Marketing Integrado (a Comercialização em tempos de 4ª Onda de Evolução) e o Código de Ética dos profissionais de Marketing, ocasião em que também se oficializou o dia 19 de junho para as comemorações anuais do Dia do Profissional de Marketing, então chamado de Marketiniano porque especializado em Marketing, portanto nas complexas Ciências da Comercialização. Desta forma se evitava o uso da terminação eiro, que é empregada para designar quem exerce certo ofício, profissão ou atividade bem específica, também refletindo certo tipo de comportamento, tipo engenheiro, hoteleiro, barbeiro, sorveteiro etc.

     Na época, diante da importância e respeito que o Brasil ganhava no mundo, crescia a conscientização de que o natural ou habitante do País deveria ser reconhecido como brasiliano, brasiliense, brasilense, brasílico, ou brasílio, e jamais como brasileiro (brasil + eiro). Os portugueses sempre usaram o cognome brasileiro para designar os seus compatriotas mais espertos, que retornam ricos do Brasil. Portanto, para o resto do mundo, em bom português, brasileiro é alcunha depreciativa retirada da particularidade moral de certos espertos que têm como atividade ganhar dinheiro no Brasil para levá-lo embora. Na dura realidade, por mais que machuque nosso orgulho, brasileiro ou brasileira jamais deveria designar nacionalidade, porque nomeia e indica atividade de espertalhão ou espertalhona. O Brasil é dos espertos! Quem é que não conhece esta expressão?

     O 2º Encontro Nacional de Marketing foi realizado em setembro de 1979, na cidade de Curitiba, sob a coordenação a presidência (Paulo Roberto Maia Cortes) do Capítulo Paraná da ABM.

     Desde a primeira edição publicada em maio de 1979, o Jornal de Marketing, órgão oficial da Associação Brasileira de Marketing (ABM), sempre adotou a palavra Comercialização como tradução de Marketing.

     A Academia Brasileira de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais (Academia Nacional de Economia – ANE), no Capítulo 12, Artigo 24 do seu Estatuto Social, faz clara distinção entre as CIÊNCIAS ECONÔMICASCiências da Comercialização (Especialistas em Mercadologia e Marketing) – e as CIÊNCIAS SOCIAISCiências da Comunicação (Comunicólogos, Jornalistas, Publicitários e Relações Públicas).


     Para assegurar incontestável credibilidade ao que está escrito acima, vale recordar que o Acadêmico Antônio Carlos Caldas foi Diretor de Treinamento e Diretor de Redação do Jornal de Marketing da Associação Brasileira de Marketing (ABM), na Administração Kléber Sá Rego, tendo também acumulado o cargo de 1º Secretário na Administração Ruy Flaks Schneider.

ADENDO 2b (2/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal"



Parte: 2/5

Marketing de Pessoas

Estudei a vida dos homens e mulheres mais bem sucedidos da história. Cada um deles tinha a imagem do seu objetivo principal firmemente implantada em sua mente.”
(John A. Lester)

     Compreende-se Produto como qualquer Pessoa Física ou Jurídica, Atividade, Lugar ou coisa que possa ser oferecida ao mercado para predispor à ação, aquisição, consumo ou utilização, buscando satisfazer desejos e necessidades físicas ou psicológicas.

     Diz-se Atividade ao meio de vida, a qualquer tipo de ação, ocupação, profissão ou trabalho específico, à política, à indústria, ao comércio, à cultura, ao esporte, às instituições de caridade, aos grupos religiosos etc.

     Assegurar a qualidade do que é crível, é o objetivo do Marketing de Pessoas, um fenômeno presente em todas as culturas do mundo, que, sem exceção, tem em comum uma estrutura básica de quatro elementos:

     (1) História – conjunto de narrativas orais ou escritas, históricas ou não, que será repetido sistematicamente para os públicos-alvo;

     (2) Explicação – interpretação explícita ou implícita dos propósitos;

     (3) Preceituação – conjunto de regras e normas de como proceder, de doutrina e ensinamento, para que se obtenha determinada resposta material ou espiritual;

     (4) Estilo – sistema coerente de linguagem, símbolos e gestuais que sintetizem a maneira de viver e o procedimento de tratar da Pessoa, bem como sua forma de exprimir seus pensamentos, falando ou escrevendo, facilitando sua absorção pela memória dos públicos objetivados.

     Observa-se esta estrutura básica do Marketing de Pessoas até mesmo na elaboração de personagens para as histórias em quadrinhos. Todo leitor fiel ao Tarzan, ao Fantasma, ao Batman ou ao Homem Aranha, conhece perfeitamente os quatro elementos relacionados ao seu herói preferido. Entretanto, não se pode esquecer que a imagem de uma coisa jamais será a própria coisa.

     A imagem pintada de um cavalo jamais será o próprio cavalo, vivo e ágil. A imagem fotografada de um peixe jamais será o próprio peixe em movimento no seu hábitat. Por mais que se possa dissecar um golfinho, tirando fotos de cada parte de seus órgãos, não será possível ver e apreciar os belos saltos dos delfins. Da mesma forma, a imagem pintada ou fotografada de uma Pessoa jamais será a própria Pessoa no seu local de trabalho, lazer ou residência.

     O Marketing de Pessoas (Comercialização de Pessoas) começa pela correta identificação dos desejos e necessidades dos Consumidores em potencial, sejam eles Governos, Instituições, Pessoas Jurídicas ou Pessoas Físicas (Cidadãos de tríplice personalidade: Produtor, Consumidor e Contribuinte-Eleitor), para que então se possa criar, desenvolver e promover a imagem do profissional realmente soberbo, com performance por excelência, transformando-a em Marca quente de altíssima confiabilidade. Prepara-se o plano estratégico de persuasão para dar tratamento aos graus de receptividade e de aceitabilidade da Marca (imagem pessoal) perante os níveis mentais dos públicos-alvo.

     Depois, a preocupação da administração do Marketing de Pessoas é ligar a Marca (Imagem Pessoal) e bons produtos que verdadeiramente tenham qualidade, preços adequados e que satisfaçam as necessidades de Clientes-alvo. Quando estiverem distribuídos e promovidos ligados à Marca (Imagem Pessoal) com eficiência, esses bens de produção ou de consumo serão vendidos com extrema facilidade.

     É certo que quando se faz o que é correto, o mercado dá retornos bem compensatórios ao final de cada dia. E é tudo isso que torna a Marca (Imagem Pessoal) cada vez mais admirada e lucrativa, com reflexos altamente positivos à imagem, aos produtos e aos resultados das organizações a ela ligadas.

     Em tempos de 4ª Onda (1960) e de 5ª Onda de Evolução Econômica (1980), pensar nos interesses e no bem-estar dos consumidores (públicos-alvo) e da sociedade em geral quando se toma suas decisões que envolvam a Marca (Imagem Pessoal) é também prioridade da administração do Marketing de Pessoas.

     Na hora de firmar os contratos da Marca (Imagem Pessoal), é essencial ter convicção de que a Organização contratante está realmente realizando o que é melhor para os Consumidores (Cidadãos de tríplice personalidade) e para a sociedade em geral a longo prazo, quando busca perceber, servir e satisfazer desejos individuais com a comercialização dos seus produtos ou serviços.

     Sabendo que a Marca (Imagem Pessoal) tem o caráter de transmitir credibilidade, é imprescindível que a administração do Marketing de Pessoas analise com extremo cuidado a política de mercado da Organização contratante, que deve ter percepção e saber no equilíbrio de três fatores fundamentais: (1) Sociedade – bem-estar do ser humano; (2) Cidadãos – satisfazer os desejos dos Consumidores a longo prazo; (3) Empresa – lucros.

     Para fortalecer a confiança e a lealdade do Cidadão de tríplice personalidade na Marca (Imagem Pessoal) e na Marca da Organização contratante, é indispensável que ambas sejam aclamadas pela noção de responsabilidade em relação à comunidade e o meio ambiente (sustentabilidade etc.). As duas marcas devem enfatizar a honestidade e a integridade, colocando as pessoas (Cidadãos) antes dos lucros.

     Fazer o que é certo no Marketing de Pessoas beneficia tanto os Consumidores (Cidadãos) e a sociedade em geral quanto a Marca (Imagem Pessoal) e Marca da Organização contratante.
O Marketing de Pessoastem muito que fazer pelos mais diversos profissionais por excelência, seja criando, mantendo, ampliando ou alterando atitudes, níveis mentais, comportamentos ou preconceitos existentes em públicos por eles objetivados. Líderes empresariais empregam o Marketing de Pessoas como estratégica ferramenta para gerar ou promover um volume maior de negócios para suas empresas. Profissionais liberais fazem Marketing de si mesmos para promover suas reputações e aumentar seus negócios.

     O Marketing de Pessoas é também utilizado por atletas e artistas, que objetivam alavancar suas carreiras e ampliar seus contratos, patrocínios e rendimentos. Os políticos se servem do Marketing de Pessoas para elevar suas imagens a posições de destaque, obtendo mais apoios e votos.

     Uma boa alternativa para os negócios, até mesmo às instituições de caridade ou aos grupos religiosos, auxiliando decisivamente na concretização de seus objetivos e metas, é usar o Marketing para associar a imagem de Pessoas por excelência com organizações e seus produtos, intenções, propostas ou crenças.

     Fundamentalmente, entretanto, jamais o Marketing de Pessoas, que se baseia em fatores fundamentais do caráter encontrados em grau menos ou mais acentuado em todo comportamento humano (Emotividade, Atividade e Repercussão), será eficiente na criação de uma imagem perene quando procure transformar ficção em realidade (vida real), espírito autocrata em democrata, inexperiência em experiência, introvertido em extrovertido, não-emotivo em emotivo, não-ativo em ativo.

     Não adianta querer usar o Marketing de Pessoas para criar ou inventar uma imagem que esteja muito além do que determinada Pessoa é, nem para incrementar expectativa excessiva em relação às suas idéias, pois este tipo de esforço só nos faz entrar pelos enganosos caminhos do “Marketing Pessoal”.

     Um exemplo dos mais repetitivos no emprego enganoso do Marketing Pessoal nos vem do futebol: ser um bom jogador, até bastante popular em seu clube ou regionalmente, não é fato suficiente para assegurar que ele possa transformar-se em incessante gênio da bola, capaz de alicerçar sua Marca (Imagem Pessoal).

     Conseqüência das precárias condições de convivência instável, formação, instrução e ambiente de treinamento dos jogadores de futebol, geralmente quase nenhum deles tem estrutura para assumir a verdadeira e complexa atitude de Atleta, que se exercita física e psicologicamente (forte motivação e desejo de competição) em face dos desafios diários e para entrar e agüentar disputados campeonatos. Inúmeros jogadores chegam até mesmo a integrar a Seleção nacional, mas permanecem pensando e agindo como jogadores que têm o dom especial de saber jogar futebol. Incontestavelmente, são jogadores que conquistaram fama e altíssimos salários; entretanto, apesar de extremamente populares, mostram-se incapazes de alicerçar sua Marca (Imagem Pessoal). Michael Jordan no basquete, Pelé e Marta no futebol, são raríssimos exemplos de motivação constante e forte desejo de competição.

     Outra conseqüência do emprego enganoso do Marketing Pessoal envolve empresários que são destacados pela Imprensa durante um determinado ano, recebendo Prêmios e Distinções de Empresários do Ano; porém, no ano seguinte, esses mesmos empresários surgem sendo processados e presos em operações fraudulentas ou por negócios ilícitos e escusos.

     Outros grandes exemplos nos chegam também das multinacionais, fazendo desfilar Executivos que se transformam da noite para o dia em celebridades mundiais, lançando idéias revolucionárias e até autobiografias em determinado ano; mas, pouco tempo depois, tais líderes acabam literalmente dispensados de suas funções de liderança e somem do mapa. E não há quem não conheça algum especialista tido como gênio das Finanças Públicas em determinada hora e circunstância, mas que hoje é apenas lobista ou personagem dependurado em instituições patronais.

     Assim, claro está que o Marketing de Pessoas jamais será capaz de assegurar imperecibilidade às tentativas de se dar nova forma, feição ou caráter aos indivíduos, tornando-os diferentes do que realmente eles são. Não há como assegurar qualidade ou caráter de imperecível aos esforços de se alterar, modificar, transfigurar, disfarçar ou dissimular personagens. Não há tecnologia de Marketing capaz de converter uma pessoa de caráter Instável em Líder, um Apático em Fleumático, um Amorfo em Social ou um ser Melancólico em um ser do tipo Ativo (simpático, sociável, caracterizado pela atividade e o dinamismo).
Na realidade, cada um desses oito tipos diferentes de caráter ou comportamento humano é resultante da combinação dos três fatores fundamentais indicados a seguir, existindo correspondência entre esses tipos caracterológicos e o pleno sucesso nas profissões:

     Emotividade – O indivíduo é denominado de caráter emotivo se experimentar mais facilmente prazer e dor que a média dos homens; caso contrário é não-emotivo.

     Atividade – Será ativo se a ação constituir uma necessidade e um prazer para ele; se lhe custar entrar em ação, será não-ativo.

     Repercussão – À duração menos ou mais prolongada da influência dos acontecimentos na consciência dá-se o nome de Repercussão. O tipo é primário quando o efeito se esvai quase logo depois de passado o fenômeno; se a lembrança perdurar, aprofundando-se no subconsciente, e orientar a vida, o indivíduo pertencerá ao tipo secundário.

     E ainda é preciso considerar que existem fatores complementares, cuja análise nos permite uma maior e melhor aproximação da realidade individual, indo bem mais além da estrutura geral do psiquismo captada e avaliada pela combinação tão-somente dos três fatores fundamentais descritos anteriormente.

     A análise desses fatores complementares é capaz de mostrar diferenças existentes entre indivíduos do mesmo tipo, ainda mais profundas, enraizadas. Dois deles condicionam todo o comportamento: a amplitude do campo de consciência e a polaridade; os demais são fatores de orientação: avidez, interesses sensoriais, ternura, paixão intelectual.

1. Amplitude do campo de consciência:

     1.1. Existem pessoas cujo psiquismo se limita a reduzido número de representações: possuem campo de consciência estreito. Gostam da nitidez e precisão. Tendência à análise.

     1.2. Outras pessoas abrangem elevado número de idéias, sentimentos ou imagens: possuem campo de consciência largo. Orientam-se preferencialmente pela intuição.

2. Polaridade, compreendendo duas atitudes anímicas opostas:

     2.1. Uma caracteriza-se pela agressividade, a violência: é o tipo masculino ou “polaridade Marte” (na nomenclatura de Gastón Berger).

     2.2. Outra, pela submissão, a astúcia: é o tipo feminino, a “polaridade Vênus”.

3. Avidez:

     3.1. “Avidez é o desejo de ser, de afirmar-se. É a fome, a necessidade de fazer entrar em si o mundo exterior e transformá-lo na própria substância. É o amor de si ou o amor-próprio dos moralistas, mas despido de toda significação ética.” (Berger)

4. Interesses sensoriais:

     4.1. Existem pessoas para as quais as sensações não passam de meios de informação. Ouvindo uma palavra se interessam pelo seu sentido, sem prestar muita atenção ao som. Vêem-lhe o lado útil.

     4.2. A outras, ao revés, é a sensação em si que as interessa: o encanto de uma cascata, a cor de uma fruta.

5. Ternura, que dá direção à simpatia:

     5.1. Existe o Narciso, que se compraz em si mesmo, que nutre amor excessivo a sua imagem.

     5.2. E existe o indivíduo terno, que sintoniza com as demais pessoas, e com facilidade se compadece.

6. Paixão intelectual:

     6.1. Existe aquele cujo desejo ardente é compreender rapidamente, não se importando por não estar acumulando conhecimentos. A tendência a entesourar saber é condicionada pela avidez.

ADENDO 2c (3/5) - MKT de Pessoas x "MKT Pessoal"



Parte: 3/5

“Marketing Pessoal”

     O dito Marketing Pessoal nada mais é do que um apelido mais pomposo e enganoso da autopromoção, tendo por base o antigo conceito de Venda. Sua prioridade é intensificar ao máximo os esforços em autopromoção e ações intensivas de venda da Imagem Pessoal criada, pois se acredita que só assim um Consumidor aceitará tal Imagem e comprará quantidade suficiente de um produto qualquer.

     Quando alguém emprega o Marketing Pessoal, é porque considera que a Pessoa em foco é um produto não demandado, alguém que não se reconhece facilmente (ausência de credibilidade no nome e na imagem) ou alguém que ninguém estará pensando natural e espontaneamente em aceitar e comprar. Assim, é essencial detectar as expectativas do público-alvo, fazer promoção de si próprio, badalar-se, implementando ações geradoras de oportunidades para se realçar seus próprios benefícios.

     Pelo uso intensivo da autopromoção e da propagação da Imagem Pessoal que se espera formar, tenta-se reduzir resistências e vender a Pessoa em foco (por exemplo, um Político ou um Executivo de Administração) aos eleitores ou às empresas, respectivamente, como sendo alguém mais adequado para determinada missão pública ou cargo.

     As idéias e os problemas do passado, as limitações e deficiências do candidato são ocultadas do público-alvo porque o objetivo é conseguir a Venda, não havendo qualquer tipo de preocupação com a satisfação posterior de quem comprar tal Pessoa.

     Existem diversas alternativas de acordo com as quais é possível con­duzir as atividades do Marketing de Pessoas; mas, na dura realidade, diante de eleitores que só "respon­dem" depois de intenso esforço pro­mocional, a maioria dos políticos, e até mesmo candidatos à Presidência dos EUA – a decantada maior democracia do mundo –, acaba tomando por base o antigo conceito de VendaMarketing Pessoal, também conhecidoporMarketing Políticona área dos fenômenos referentes ao Estado. Neste caso, o negócio é tão-so­mente detectar as expectativas e ven­der o político com base em folclorístico benefício. Na realidade, os políticos em geral, e até mesmo os candidatos à Presidência das principais Repúblicas da Terra se tornaram assemelhados aos simples produtos ou mercadorias, conseqüência do crescente e intensivo Marketing Pessoal.

     O Marketing de Pessoas cria e desenvolve uma imagem que tem origem na realidade (ver Caso Michael Jordan), enquanto o Marketing Pessoalinventa uma realidade resultante de uma imagem elaborada (ver Caso Ronald Reagan).

Na crise dos anos 80, como sobreviver?
O mercado aparece como sendo o salvador das pátrias.

     Com a finalidade de melhor avaliar e compreender a questão diferenciada que está proposta – Marketing de Pessoas versus Marketing Pessoal –, retroceder no tempo é fundamental, para nos fazer relembrar ou conhecer o raiar dos anos 1980.

     Em 1981, no estudo Enfrentando Crises Sem Choro e Sem Vela, que foi publicado em 14 de setembro no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro e transcrito na Revista Bolsa, então órgão oficial da Bolsa de Valores do Rio Janeiro, estava dito com todas as letras:

     “(...) Uma conscientização de Marketing é essencial, apesar do atraso de uma Onda de Evolução – a Quarta, desde 1960.”

     “(...) Identifique claramente o atual estágio de desenvolvimento da economia, caracterizado pela predominância dos movimentos biológicos da comercialização. O mundo, depois de ultrapassar as predominâncias das etapas agrícolas, industriais e dos complexos meios de distribuição, desde os anos 60 estabeleceu naturalmente nova ordem econômica (Quinta Onda) que precisa ser estudada e compreendida através de meios e sistemas próprios. O Marketing é simplesmente o conjunto de técnicas que devem ser usadas nestes novos tempos.”

     “A nova etapa de desenvolvimento acabou com a independência dos indivíduos em seus lares, das empresas, das instituições, dos serviços e, por extensão, dos próprios países. Não há mais possibilidade de se controlar o mercado, seja nacional ou internacional, por medidas isoladas, sem que se cometam verdadeiros crimes sociais.”

     “Os conceitos acadêmicos de Economia precisam ser urgentemente atualizados, levando-se em consideração a nova dinâmica dos mercados. Nada mais poderá ser controlado mecanicamente, mesmo que o país utilize os meios mais consagrados de emprego da força. Todos os componentes econômicos, financeiros e sociais se tornaram integrados num processo sem fim. A cada passo da comercialização de um produto qualquer, por exemplo, nascem os embriões de diversas outras comercializações, seguindo um processo biológico, onde cada organismo é um eterno gerador de diversos outros.”

     “Precisamos visualizar e compreender este novo estágio de desenvolvimento global, procurando adaptar todos os meios de instrução e formação profissional existentes à esta nova realidade.

     “(...) Precisamos estabelecer verdadeiros ‘transplantes’ econômicos, entendendo os componentes d mercado como organismos vivos.”

     “(...) As instituições, por mais fortes que elas sejam, perderam a condição autocrata em suas decisões. Não mais serão admitidas normas ou legislações fundamentadas em princípios de economia dirigida. As iniciativas isoladas que teimarem desconhecer esta nova realidade serão reduzidas ao destino de acompanhar apenas o dia-a-dia sem nenhuma possibilidade de concepção a médio ou longo prazo. Qualquer medida isolada também criará nos órgãos, provocando a eliminação de diversos outros organismos num processo de destruição em série. E será impossível se prever as mutações que o mercado como um todo sofrerá. E não restará outra medida senão aquela que chamamos de ‘administração pelo dia-a-dia’.”

     “O mundo será cada vez mais liberal, na medida de sua subdivisão em tendências naturais satisfeitas por canais próprios de comercialização, e de seu conhecimento exato daquilo que podemos entender por democracia. Todas as formas sociais impostas tenderão a falir, principalmente pela inoperância das instituições diante das condições impostas pelos novos tempos. Quanto mais culta uma sociedade, mais os sentidos de liberdade serão reivindicados. O ser humano terá uma atitude individualizada, apesar de buscar identificação na comunidade.”
“A cadeira em que você está sentado, tudo o que está vestindo, calçando, lendo ou imaginando, chegaram até você graças a diversos organismos de comercialização que estão funcionando em todo o mundo, exatamente ao mesmo tempo.”

     “A decisão do Consumidor tornou-se a mola mestra desde o novo estágio de desenvolvimento econômico iniciado com a Quarta Onda. Tudo deverá objetivar, portanto, a satisfação do ser humano, em seu sentido mais latente. (...).”

     O alerta estava dado em 14 de setembro de 1981, no estudo Enfrentando Crises Sem Choro e Sem Vela; porém, infelizmente a década de 80 foi acontecendo enquanto os homens contemporâneos permaneciam confundindo os gêneros das coisas, tão-somente discutindo se havia crise mundial ou não, e se os seus países seriam ou não envolvidos nela. Como os antigos índios mexicanos, que confundiam a arte da dança com a arte da agricultura, as lideranças mundiais permaneceram dançando para fazer chover. Portanto, não há qualquer novidade na atualidade: os homens continuam confundindo os gêneros das coisas, e cada vez mais, porque teimando em analisar as Ondas de Evolução por conta de antigos moldes ideológicos.

ADENDO 2d (4/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal"



Parte: 4/5
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 Deu no que deu!

     Em 1982, usando o petróleo, o crédito e o dólar como iscas, a armadilha se fechou decisivamente sobre o mundo inteiro. O preço do petróleo estava congelado, mas o dólar não parava mais de encarecer, tornando cada vez mais pesada a dívida mundial.

     Em agosto daquele ano, o México, à beira do desespero e da revolta, levanta o problema da sua dívida e, por extensão, da dívida de todos nós. Reembolsar o principal e pagar os juros da dívida externa é impossível. É a falência, quase um apocalipse! A economia como um todo está de joelhos. Quase ninguém sabia, mas o bloco soviético também já estava literalmente falido.

     No país de Tio Sam, o que no sistema descrito como keynesianismo global era tido como déficit de comércio cíclico e, portanto, temporário, logo se transforma em déficit de comércio estrutural permanente. Os EUA passam a conviver com o mais espetacular endividamento de sua história.

     Um conjunto de explosões que se combinam faz iniciar a implosão da Terceira Partilha Mundial (EUA x URSS) que estará consumada três anos depois. Bretton Woods e Yalta/Potsdã definham de vez.

     A esta altura do jogo, a riqueza monetária e financeira está representada por papel pintado, que se pretende moeda, e por títulos podres e falsos – o novo e já transvazado mercado da dívida, ao passo que o ouro valorizado é a riqueza nas mãos do Império Invisível das Finanças.

     Novos enigmas passam a reger a segunda etapa do jogo estratégico mundialista que começa em 1983. Todas as fórmulas e trapaças para empurrar a Economia pelas duas últimas décadas do Século 20 serão tentadas, mas na primeira década do Século 21 continuará restando o problema criado pelo endividamento mundial. Reagir é perigoso e quase impossível.

     No Brasil, a crise econômica só fez se agravar, então às voltas com explosivos índices de inflação e o serviço de uma das maiores dívidas externas do mundo. O mercado interno dava claros sinais de estagnação, resultando em poucos lançamentos de produtos novos, em muitos produtos obsoletos e numa luta selvagem pelo pouco dinheiro existente no mercado.

     Como sobreviver? O mercado aparece como sendo o salvador das pátrias. Correr é fundamental. Realizar novos lucros é preciso. Inventar novos produtos que respondam às necessidades insatisfeitas, é essencial. O conflito experiência-conhecimento arrasta a empresa na engrenagem infernal da inovação-lucro.

     A multiplicação dos meios de produção encolhe o planeta, globaliza tudo. Mas não tardamos a perceber os perigos da velocidade tecnológica: o produto novo destrói o antigo, e transforma os hábitos radicalmente. E a duração de vida dos bens e do conhecimento encurta cada vez mais, atingindo, muitas vezes, um simples piscar de olhos.

     Produtos novos exigem profissões novas, enquanto os bens e as especializações de trabalho desaparecem em desuso. Sem poder parar, o homem é convocado a se adaptar. Fala-se em instrução permanente e em reciclagens, como se faz com materiais usados e desgastados. Muitos são os rejeitados, e logo rotulados de aposentados, pré-aposentados, desempregados estruturais, pedintes de empregos, ou novos-pobres.

     Então, reduzir custos de pessoal vira obsessão. A qualidade geral despenca, é lógico! Antecipar aposentadorias dos salários mais altos, substituindo-os pelo terceiro escalão, a saída visível. Com a ambição de ocupar mais espaços nos mercados, as mulheres se mostram mais ousadas, lógicas e diretas ao aceitar salários menores do que os reivindicados pelos homens.

Administrar é fazer as coisas do jeito certo;
liderar é fazer as coisas certas.”
(Peter Drucker e Warren Bennis)

     A nova miopia dos negócios é vender cada vez mais caro – preços Premium –, e para número cada vez menor de consumidores. Alemanha e Japão são as únicas exceções.

     O pior ainda está camuflado no porvir! Um espírito individualista doentio, protegido numa armadura de arrogância egocêntrica porque desconhece o que seja experiência, assume o controle de tudo e de todos. Sem poder contar com referências confiáveis ao lado, busca tão-somente as amizades superficiais, que são incapazes opor resistências, e faz predominar as confusões de gêneros nas instituições em geral.

     Criou-se um universo personalista, centrado naqueles que referem tudo ao próprio eu, como centros de todo o interesse, e que, solitários tomaram como companheiros o álcool, os remédios tarjas pretas, as drogas pesadas e até o próprio computador – uma vida preferencialmente no ciberespaço (dimensão ou domínio virtual da realidade). Na época, certamente se pensou que o grande negócio era montar empresas preferencialmente sem acionistas, clientes e fornecedores – todos eles uns inconvenientes!

     Desde então, a concorrência não mais era travada no mercado, com disputas de produtos, preços etc. A concorrência acontecia dentro das próprias organizações, envolvendo as pessoas.

O consumo coisifica a pessoa

     Logo no início do prefácio do livro Ágape, lançado pelo padre Marcelo Rossi em 2010, diz Gabriel Chalita:

     “(...) Estamos acostumados a viver em um mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. A ação traz uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. A suposta amizade vive de expectativas. O que o outro pode me proporcionar? Que ganho haverei de ter ao ir a tal evento? Quem é fulano? O que ele faz? É filho de quem?

     “Tempos em que os adornos valem mais do que o essencial. Tristes tempos. As amizades interesseiras têm prazo de validade. As relações são inconsistentes. É comum, em um círculo de amigos, cada qual falar de si mesmo como um hobby. Uma geração narcisista. O pronome mais utilizado é o de primeira pessoa: ‘eu’. Tristes tempos, repito.”

     “Tempos de escassez de atitudes de misericórdia – descartar uma pessoa é mais fácil do que se desfazer de um objeto de estimação. Falta estima pelo ser humano. Vivemos em uma sociedade em que o consumo coisifica a pessoa. Quanto mais se tem, mais se deseja e, quando não se tem, o desejo também faz questão de ficar.”

     “Falta um sonho de vida e sobram angústias pelas ausências desse sonho. (...)”

     Neste contexto, não é difícil de imaginar porque o Marketing de Pessoas logo se transformou num egoísta e pretensioso Marketing Pessoal”.

ADENDO 2e (5/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal"



Parte: 5/5

As confusões de gêneros 
explodem no Brasil

Conhecimento não é aquilo que você sabe, mas o que você faz com aquilo que sabe.”
(Aldous Huxley)

     Pelas razões que estão aqui descritas e analisadas a seguir, a realidade brasileira desde 1981-1983 entra numa fase de confusões de gêneros na Política e na Economia, com profundas influências no universo da Comercialização (Marketing) e nas atividades de Comunicação Social. Confundiu-se Marketing com Propaganda, Publicidade com Propaganda, Comunicação com Comunicações, Classes Sociais (categorias de cidadãos baseadas em distinções de ordem social ou jurídica) com Grupos ou Faixas de Renda (Remunerações por tipos de atividades profissionais) etc.

     Fórmulas de cálculo dos Índices de Inflação se confundiram com os Aumentos Percentuais nos Preços. O Lucro apurado no exercício (período entre dois balanços de uma empresa) acabou confundido com a possibilidade irreal de se calcular quanto de “Lucro Semestral” ou “Lucro Trimestral” (expectativa orçamental de Renda Bruta nas operações comerciais ou financeiras). A Contabilidade de Custos foi confundida com as planilhas de custos. Enfim, desde a década de 1980, Receita Mensal (valor total das vendas de uma empresa, num dado mês) é ainda confundida com cálculo irreal de “Lucro Mensal”, que se acredita apurar depois de deduzidas as despesas fixas ou dominadas.

     Quando um país sequer se apercebe como sendo um eterno país emergente é normal confundir-se até navio graneleiro, que transporta cargas a granel geralmente de exportação, com navio contêiner, que, no geral, traz as importações de produtos industrializados acondicionados em grandes caixas padronizadas.

     Conseqüência das confusões de gêneros que ainda aparecem nos escritos de desavisados e preconceituosos autores de novelas ou que ainda são propagadas por parcela da imprensa que se acha habilitada em assuntos de Economia e Negócios, a maioria das pessoas ainda pensa que o Marketing se resume a argumentos criativos de venda, propaganda e publicidade, autopromoção e muita badalação em eventos sociais, desportivos etc.

     O conceito moderno de Marketing e o conceito de Venda que existe desde a Antiguidade, são freqüentemente confundidos. Muitos dos que hoje afirmam praticar o Marketing em suas atividades, na realidade não o colocam em ação porque lhes falta substância – a parte real, essencial, da plena consciência de se satisfazer as necessidades do Cidadão de tríplice personalidade (Produtor, Consumidor e Contribuinte-Eleitor). Conhecimento e experiência forjados na prática diária e resultantes de estudos de formação e instrução são indispensáveis para se transformar um profissional (ou instituição) orientado para Vendas em alguém (ou organização) orientado para o Marketing.

     Haja confusão de gêneros! Num País sem memória, e que não sabe estabelecer sequer distinção entre pessoas ou coisas, tudo isto acontece desordenadamente misturado. Os vendedores de ilusões, ditos “Marketeiros” que surgiram não se sabe bem de onde, agradecem.
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As necessidades do mercado e os 
novos “Especialistas Marketeiros
     Em nada semelhante aos vendedores e aos demais profissionais da 3ª Onda de Evolução (Produção e Distribuição à larga) que detinham apenas competência técnica, a predominância do Consumidor nas decisões de Comercialização tornou imprescindível que os novos vendedores e profissionais da 4ª Onda (1960) passassem a entender as necessidades do mercado, prestando plena orientação e assistência aos Clientes.

     Mas a confusão de gêneros no Marketing Pessoal asseverando direitos supostos porque reivindicados por uma vaidade exagerada, logo os transformou em especialistas. Todos eles continuaram despreparados diante das necessidades do mercado de 4ª Onda e posteriormente de 5ª Onda (1980), mas, desde então todos eles já se acharam especialistas.

     Diante da badalação que envolve de glamour e magnetismo o Marketing, que tem a atratividade da promessa de se exercer influência na vontade de outros, e não tendo havido preparo, formação e instrução de novos profissionais especializados em Comercialização na quantidade e qualidade que eram necessárias ao País, logo os Publicitários, os Assessores de Imprensa e Relações Públicas, e até os arrumadores de display, todos, afinal, logo exigiram o cargo de Marketeiro.

     É isso aí! Sendo todos especialistas e Marketeiros, sempre irão existir respostas prontas para tudo. A Educação no Brasil está péssima, mas estamos repletos de Especialistas em Educação. A Segurança está periclitante, mas igualmente estamos repletos de Especialistas em Segurança. O mesmo também acontece com a Saúde Pública, o Trânsito, os Aeroportos, o Petróleo, as Finanças, as operações de Câmbio, o mercado de Ações, os Correios etc.. Não há quase nada funcionando bem no País; porém, estamos repletos de Especialistas concedendo entrevistas aos canais de TV-News..
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Se a notícia foi transmitida pelo Repórter Esso,
certamente é verdade.”
 .
     As boas técnicas e práticas de Relações com a Imprensa são fundamentais ao Marketing de Pessoas, e imprescindíveis ao Marketing Pessoal.

     Com nossa experiência vivencial em redações de múltiplos veículos da Imprensa beirando meio século, pode-se afirmar que, desde a década de 1980, o Jornalismo de assuntos políticos, econômicos e sociais foi um dos setores mais afetados pelas transformações impostas pelo espírito personalista do enganoso Marketing Pessoal, e isto no mundo inteiro.

     Qualidade fundamental da Imprensa especializada até então, a responsabilidade de buscar previsões, divulgando-as com cada vez mais exatidão, foi substituída sem constrangimentos pelos achismos. Na realidade, é a massificação desse péssimo exemplo da Imprensa que faz predominar a tendência de todo homem se julgar detentor de poder autocrata e infalível para poder achar, prejulgar e tudo opinar sobre tudo e todos.

     Até a década de 1970, se determinada notícia havia sido dada no Repórter Esso, antigo telejornal da extinta TV-Tupi (a primeira emissora do Brasil), o público sabia que podia confiar porque certamente era verdade. Os jornalistas e apresentadores Heron Domingues (desde os tempos do Repórter Esso no rádio) e Gontijo Teodoro eram a imagem da credibilidade, e imprimiam o ritmo da seriedade no noticiário brasileiro. Por seu lado, o patrocinador e a sua agência de publicidade mantinham uma equipe, coordenada por Segismundo Rocha Spiegel, presente na Redação do Repórter Esso, exigindo conteúdo e veracidade aos fatos noticiados. E ninguém reclamava, ao contrário. Assegurar a qualidade do que é crível, era objetivo comum.
Não mais do que de repente, entretanto, a segunda metade dos anos 80 viu prevalecer um Jornalismo que era mais opinião do que apresentação e descrição dos fatos, valendo mais quem tinha acesso a quem do que quem tinha realmente conhecimento atualizado sobre o que falava ou escrevia.

     É conhecido no meio jornalístico, o caso do ex-presidente da República, ainda vivo, que se notabilizou no cenário paulista, e depois nacionalmente, atuando como fonte de informações para jornalistas enquanto promovendo-se como acesso privilegiado. Ele sempre soube que é o embate dos políticos que levanta as inimagináveis versões para cada acontecimento, enquanto ao jornalista cabe preparar a opinião. E é tudo isso que cria um campo fértil para o egocêntrico “Marketing Pessoal”. Quando um jornalista se engana ou é seduzido por falsas idéias ou promessas, todos nós acabamos enganados.

     Nascido em 1918, o acadêmico e escritor francês Maurice Druon, ministro da Cultura em 1972, já se indagava: se os políticos seguem a opinião do público, e falam de um futuro de duas décadas, podemos perguntar quem é que faz a opinião deste público. A Mídia, que vê e fala do futuro de daqui a 24 horas, é a resposta. Portanto, o jornalista tem razão quando se julga um poder, ou um contra poder.

     Sendo um poder não eleito, o exercício da profissão de Jornalista é de extrema dificuldade. É fundamental que nada (idéias, interesses e dinheiro) ou ninguém (governos, instituições e pessoas) exerça pressão sobre a Imprensa, pois quem transmite informação não pode ser um prisma que aliena, deforma ou desinforma. Ao confundir informação e opinião, invertem-se os valores, confundem-se os gêneros das coisas e aumenta a confusão, abrindo espaço para que defensores de ideais antagônicos façam explodir escândalos políticos e financeiros que se propagam pelo mundo inteiro.

     As emissoras de TV gastam fortunas para enviar suas equipes de repórteres, cinegrafistas e técnicos para cobrir os mais diferentes tipos de eventos, in loco, nos mais distantes rincões da Terra; entretanto, na hora da edição do que vai ao ar, a presença física do jornalista ganha quase todo o espaço da matéria. Não há nada mais personalista e absurdo!

ADENDO 2 (2) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal" // M. Jordan




     É claro que a fortuna de US$ 40 milhões que o atleta rece­beu do Chicago Bulls pelas últimas temporadas do seu time na NBA, não é a resposta. Este valor representa apenas o seu valor para a equipe dos Bulls; ou, em outras palavras, o que ele conseguiu arrancar do empresário Jerry Reinsdorf, o dono do time de basquete do Chicago Bulls.. Para que se possa fazer um cálculo mais aproximado do valor real de Jordan, é preciso que se leve em conta a Marca Jordan e seu papel multiplicador de riquezas.


     Sabe-se, por exemplo, que Reinsdorf comprou o Bulls por US$ 9,2 milhões, em 1985, um ano depois da contratação do jogador. Gra­ças à presença do superatleta, entretanto, a equipe passou a valer US$ 200 milhões.

     Antes que a temporada 93-94 da NBA tivesse início, Jordan optou por se aposentar do basquete, indo tentar a sorte no Baseball. A expectativa foi muito grande, mas ele logo acabou descobrindo que esta não era a sua praia; e rapidamente voltou às quadras em 1995, liderando o Chicago Bulls em mais 3 títulos consecutivos: 1996, 1997 e 1998. Em 1999 anunciou outra aposentadoria, mas voltou em 2001, dessa vez para o o Washington Wizards, onde jogou até 2003.

     Michael Jordan logo de início demonstrou possuir notáveis habili­dades no basquete. Os seus fãs até hoje enaltecem sua combinação singular de graça e velocidade, de força e talento artístico, de habilidade no trato dos companheiros, um sentido apurado de quadra, passes e dribles rápidos, e uma extraordinária capacidade de saltar acima do aro para conseguir cestas fantásticas. Não há dúvidas de que o forte desejo de competição de Jordan redefiniu o conceito de superstar da NBA.
Como se tudo isso não bastasse, Jordan ainda esbanjava uma personalidade cativante, coerente e simples, que acompanhava seus brilhantes talentos. Portanto, foi esse todo que fez dele uma pessoa com grande potencial para ser alvo do Marketing de Pessoas.

A construção da Marca Jordan

     Após graduar-se na Universidade da Carolina do Norte, Michael Jeffrey Jor­dan assinou um contrato com a Pro­Serv Inc., uma conhecida agência de administração de esportes. Em 1984, a agência conseguiu negociar o primeiro e lucrativo contrato de cinco anos com o Chicago Bulls, tendo pago a Jordan US$ 4 milhões.

     Rapidamente, Jordan tornou-se estrela da NBA, reconhecido também por sua incrível capacidade de pontuar em marcantes participações nos concursos de enterradas. Foram essas enterradas, pulando da linha do lance-livre, que lhe renderam os apelidos de Air Jordan e His Airness. Além de tudo, Jordan foi um dos melhores marcadores que o basquete já viu. Venceu seu primeiro título da NBA em 1991, e depois em 92 e 93.

     A ProvServ Inc. decidiu usar o Marketing de Pessoas para vender a imagem de Jordan como um grande astro do basquete que era um bom sujeito, um cidadão respeitável e talento para várias atividades além do basquete.

     Para assegurar máxima visibilidade e ganhar a simpatia do público, a agência marcou horários para Jordan no circuito de programas de entrevistas nas emissoras de TV e Rádio, usou de rigor na aceitação apenas dos melho­res produtos para serem endossados pela Marca Jordan, insistiu em comerciais de alta qualidade, arranjou aparições públicas para causas de cari­dade, e até mesmo criou para ele a imagem de um modelo da moda.

     O apelo de mercado de Jordan elevou-se rapidamente, do mesmo modo que sua renda. Não havia mais qualquer dúvida: Michael Jordan é Michael Jordan porque é Michael Jeffrey Jor­dan, o melhor jogador de basquete do mundo. Mas poderia não ter ganho tanto dinheiro caso não soubesse administrar com cuidado a própria imagem.
     A imagem de Jordan era absolutamente verdadeira, tendo sido eleito o MVP (jogador mais valioso) da temporada por cinco vezes, MVP das finais por seis vezes, 10 vezes para o primeiro time da NBA, 9 vezes para o primeiro time defensivo da NBA. Participou de 14 jogos das estrelas e foi MVP deles em 3 oportunidades.

     Jordan foi cestinha da liga em 10 temporadas, maior ladrão de bolas por 3 vezes e eleito defensor do ano em 1988. A sua pontuação máxima num único jogo foi de 69 pontos, contra o Cleveland Cavaliers no dia 28 de Março de 1990. Um dos seus recordes mais marcantes e uma das provas da sua superioridade no basquete, é a sua média de pontos durante a carreira: 30,1 pontos em quinze temporadas.

     Jordan é dono da mais espetacular carreira esportiva no final do Século 20. Uma es­pécie de Pelé do basquete, com a dife­rença de que provavelmente o brasilei­ro não tenha acumulado em toda sua carreira os US$ 70 milhões que Jordan ganhou num ano só.

     É ver­dade que Pelé construiu sua fama nos anos 60 e 70, quando o futebol ainda não era um fenômeno de massa e uma das maiores indústrias da economia mun­dial. Entretanto, caso os tempos favoráveis do esporte (basquete) não fossem o suficiente, a verdade é que Jordan, gênio na arte de ga­nhar dinheiro com a própria fama, encontraria outro caminho.

“Efeito Jordan”

     Jordan é o homem certo no lugar certo. Em 14 anos, período em que ele jogou profissionalmente, a indústria esportiva explodiu. Os estádios se transformaram em plataformas multimídias, os jogos de basquete pas­saram a ser transmitidos por satélite para o mundo todo – e dinheiro grosso começou a rolar dentro e fora das quadras.

     Certa feita, a revista Fortune calculou o que chamou de efeito Jordan, ou seja o impacto de todos os negócios do atleta sobre a economia americana desde sua estréia, em 1984, e chegou a um valor estra­tosférico: US$ 10 bilhões.

     “Deixando de lado sua vasta fortuna pessoal, é impressionante a riqueza que Jordan vem gerando em vários seto­res, desde as vendas de tênis, vídeos e perfumes até o aumento da audiência dos jogos, escreveu Roy S. Johnson, editor da revista que comandou a equipe que fez as estimativas.

     Roy S. Johnson alertou que as cifras estimadas pela Fortune são conservadoras, já que só levaram em conta algumas das empre­sas diretamente ligadas ao atleta, como a NBA, a liga do basquete profissional americano, e a Nike, fabrican­te de tênis cujo nome ficara irremediavelmente colado ao de Jordan.

     A estrela de Jordan contribuiu para atrair US$ 366 milhões para a liga só em direitos de TV das partidas do Bulls. A venda de produtos licenciados do Chicago BulIs no período, rendeu mais US$ 3 bilhões à liga, sendo que só US$ 165 milhões passaram pelas bilheterias dos estádios. E, no último ano de Jordan em quadra, os Bulls tiveram lotação esgotada em todos os seus jogos, à exceção de um – um recorde que supera todas as vendas de ingressos de seus 22 anos de história.

     A empresa de David Falk, empresário de Jordan, foi vendida por US$ 100 milhões. Pelo menos a metade desse valor deve ser creditada ao efeito Jordan. 

Patrocínios

     O empresário David FaIk diz ter percebido, ainda nos anos 80, que o rela­cionamento do atleta Jordan com as grandes mar­cas comerciais sempre foi uma via com mão dupla. Se Jordan ajuda as empresas na venda de seus produtos, as empresas aju­dam a aumentar a popularidade de Jordan. Um empurra o outro! Assim, a Nike se trans­formou na Microsoft do tênis, em grande parte pela presença de Jordan em seus anúncios.

     Ao final de seu primeiro ano com Jordan como representante, a Nike vendeu US$ 110 milhões em tênis e demais acessórios para basquete da marca Air Jordan. A imagem da Nike, estando decisivamente associada ao nome Jordan, resultou em vendas de US$ 5,2 bilhões. Com a venda de tênis da marca Air Jordan, a empresa faturou US$ 2,6 bilhões.

     O Marketing de Pessoas foi extremamente compensador para Michael Jordan, para seu time e para os produtos que ele representa. Ele assinou um novo contrato de oito anos com os Bulls, no valor de US$ 25 milhões.

     A imagem do jogador esteve associada ao McDonald's, à Coca-­Cola, à Chevrolet e aos produtos Wilson e Johnson, o que garantia um adicional de US$ 4 milhões por ano ao Jordan.

     Agindo praticamente sozinho, Jordan criou e desenvolveu o mercado de vídeos esportivos. O setor de vídeos, vendeu quatro milhões de cópias, gerando receita de US$ 80 milhões. O filme Space Jam – O Jogo do Século, em que Jordan contracena com o Pernalonga, faturou US$ 230 milhões em bilheteria, e 209 milhões em vídeos.

     Mesmo assim, Jordan não deixou de tornar o seu nome disponível para ser usado numa lista interminável de bugigangas, de chaveiros até guardanapos, cesta de lixo, escovas de dentes, de primeiros socorros etc.. O super-vendedor encestava em qualquer área do mundo dos negócios. Com a comercialização de inúmeros produtos com a marca Michael Jordan, essas empresas chegaram a faturar US$ 408 milhões.

     Atualmente, Michael Jordan é dono de parte do Charlotte Bobcats e membro da equipe de operações do time.

     Em todos os lugares do mundo, sempre existem indivíduos distraídos ou idiotas incompetentes afirmando que ninguém é insubstituível. Então, é muito triste constatar que o lugar antes ocupado brilhantemente pot Michael Jordan, tido “substituível”, permanece vazio na NBA em janeiro de 2011, sem qualquer perspectiva de ser ocupado brevemente.