Parte: 4/5
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Deu no que deu!
Em 1982, usando o petróleo, o crédito e o
dólar como iscas, a armadilha se fechou decisivamente sobre o mundo inteiro. O
preço do petróleo estava congelado, mas o dólar não parava mais de encarecer,
tornando cada vez mais pesada a dívida mundial.
Em agosto daquele ano, o México, à beira
do desespero e da revolta, levanta o problema da sua dívida e, por extensão, da
dívida de todos nós. Reembolsar o principal e pagar os juros da dívida externa
é impossível. É a falência, quase um apocalipse! A economia como um
todo está de joelhos. Quase ninguém sabia, mas o bloco soviético também já
estava literalmente falido.
No país de Tio Sam, o que no sistema
descrito como keynesianismo global era tido como déficit de comércio
cíclico e, portanto, temporário, logo se transforma em déficit de comércio
estrutural permanente. Os EUA passam a conviver com o mais espetacular
endividamento de sua história.
Um conjunto de explosões que se combinam
faz iniciar a implosão da Terceira Partilha Mundial (EUA x URSS) que estará
consumada três anos depois. Bretton Woods e Yalta/Potsdã definham de vez.
A
esta altura do jogo, a riqueza monetária e financeira está representada por
papel pintado, que se pretende moeda, e por títulos podres e falsos – o novo e
já transvazado mercado da dívida, ao passo que o ouro valorizado é a
riqueza nas mãos do Império Invisível das Finanças.
Novos enigmas passam a reger a segunda
etapa do jogo estratégico mundialista que começa em 1983. Todas as
fórmulas e trapaças para empurrar a Economia pelas duas últimas décadas do
Século 20 serão tentadas, mas na primeira década do Século 21 continuará
restando o problema criado pelo endividamento mundial. Reagir é perigoso e
quase impossível.
No Brasil, a crise econômica só fez se
agravar, então às voltas com explosivos índices de inflação e o serviço de uma
das maiores dívidas externas do mundo. O mercado interno dava claros sinais de
estagnação, resultando em poucos lançamentos de produtos novos, em muitos
produtos obsoletos e numa luta selvagem pelo pouco dinheiro existente no
mercado.
Como sobreviver? O mercado aparece como
sendo o salvador das pátrias. Correr é fundamental. Realizar novos lucros é
preciso. Inventar novos produtos que respondam às necessidades insatisfeitas, é
essencial. O conflito experiência-conhecimento arrasta a empresa na engrenagem
infernal da inovação-lucro.
A multiplicação dos meios de produção
encolhe o planeta, globaliza tudo. Mas não tardamos a perceber os perigos da
velocidade tecnológica: o produto novo destrói o antigo, e transforma os
hábitos radicalmente. E a duração de vida dos bens e do conhecimento encurta
cada vez mais, atingindo, muitas vezes, um simples piscar de olhos.
Produtos novos exigem profissões novas,
enquanto os bens e as especializações de trabalho desaparecem em desuso. Sem
poder parar, o homem é convocado a se adaptar. Fala-se em instrução permanente
e em reciclagens, como se faz com materiais usados e desgastados. Muitos são os
rejeitados, e logo rotulados de aposentados, pré-aposentados,
desempregados estruturais, pedintes de empregos, ou novos-pobres.
Então, reduzir custos de pessoal vira
obsessão. A qualidade geral despenca, é lógico! Antecipar aposentadorias dos
salários mais altos, substituindo-os pelo terceiro escalão, a saída visível.
Com a ambição de ocupar mais espaços nos mercados, as mulheres se mostram mais
ousadas, lógicas e diretas ao aceitar salários menores do que os reivindicados
pelos homens.
“Administrar é fazer as coisas do jeito certo;
liderar é fazer as coisas certas.”
(Peter Drucker e
Warren Bennis)
A nova miopia dos negócios é vender cada
vez mais caro – preços Premium –, e para número cada vez menor de
consumidores. Alemanha e Japão são as únicas exceções.
O pior ainda está camuflado no porvir! Um
espírito individualista doentio, protegido numa armadura de arrogância
egocêntrica porque desconhece o que seja experiência, assume o controle de tudo
e de todos. Sem poder contar com referências confiáveis ao lado, busca
tão-somente as amizades superficiais, que são incapazes opor resistências, e
faz predominar as confusões de gêneros nas instituições em geral.
Criou-se um universo personalista,
centrado naqueles que referem tudo ao próprio eu, como centros de todo o
interesse, e que, solitários tomaram como companheiros o álcool, os remédios tarjas
pretas, as drogas pesadas e até o próprio computador – uma vida
preferencialmente no ciberespaço (dimensão ou domínio virtual da
realidade). Na época, certamente se pensou que o grande negócio era montar
empresas preferencialmente sem acionistas, clientes e fornecedores – todos eles
uns inconvenientes!
Desde então, a concorrência não mais era
travada no mercado, com disputas de produtos, preços etc. A concorrência
acontecia dentro das próprias organizações, envolvendo as pessoas.
O consumo coisifica a pessoa
Logo no início do prefácio do livro Ágape, lançado pelo
padre Marcelo Rossi em 2010, diz Gabriel Chalita:
“(...) Estamos acostumados a viver em
um mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. A ação traz
uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. A
suposta amizade vive de expectativas. O que o outro pode me proporcionar? Que
ganho haverei de ter ao ir a tal evento? Quem é fulano? O que ele faz? É filho
de quem?”
“Tempos em que os adornos valem mais
do que o essencial. Tristes tempos. As amizades interesseiras têm prazo de
validade. As relações são inconsistentes. É comum, em um círculo de amigos,
cada qual falar de si mesmo como um hobby. Uma geração narcisista. O pronome
mais utilizado é o de primeira pessoa: ‘eu’. Tristes tempos, repito.”
“Tempos de escassez de atitudes de
misericórdia – descartar uma pessoa é mais fácil do que se desfazer de um
objeto de estimação. Falta estima pelo ser humano. Vivemos em uma sociedade em
que o consumo coisifica a pessoa. Quanto mais se tem, mais se deseja e, quando
não se tem, o desejo também faz questão de ficar.”
“Falta um sonho de vida e sobram
angústias pelas ausências desse sonho. (...)”
Neste contexto, não é difícil de imaginar
porque o Marketing de Pessoas logo se transformou num egoísta e
pretensioso “Marketing Pessoal”.

