1 de dez. de 2007

ADENDO 2d (4/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal"



Parte: 4/5
.
 Deu no que deu!

     Em 1982, usando o petróleo, o crédito e o dólar como iscas, a armadilha se fechou decisivamente sobre o mundo inteiro. O preço do petróleo estava congelado, mas o dólar não parava mais de encarecer, tornando cada vez mais pesada a dívida mundial.

     Em agosto daquele ano, o México, à beira do desespero e da revolta, levanta o problema da sua dívida e, por extensão, da dívida de todos nós. Reembolsar o principal e pagar os juros da dívida externa é impossível. É a falência, quase um apocalipse! A economia como um todo está de joelhos. Quase ninguém sabia, mas o bloco soviético também já estava literalmente falido.

     No país de Tio Sam, o que no sistema descrito como keynesianismo global era tido como déficit de comércio cíclico e, portanto, temporário, logo se transforma em déficit de comércio estrutural permanente. Os EUA passam a conviver com o mais espetacular endividamento de sua história.

     Um conjunto de explosões que se combinam faz iniciar a implosão da Terceira Partilha Mundial (EUA x URSS) que estará consumada três anos depois. Bretton Woods e Yalta/Potsdã definham de vez.

     A esta altura do jogo, a riqueza monetária e financeira está representada por papel pintado, que se pretende moeda, e por títulos podres e falsos – o novo e já transvazado mercado da dívida, ao passo que o ouro valorizado é a riqueza nas mãos do Império Invisível das Finanças.

     Novos enigmas passam a reger a segunda etapa do jogo estratégico mundialista que começa em 1983. Todas as fórmulas e trapaças para empurrar a Economia pelas duas últimas décadas do Século 20 serão tentadas, mas na primeira década do Século 21 continuará restando o problema criado pelo endividamento mundial. Reagir é perigoso e quase impossível.

     No Brasil, a crise econômica só fez se agravar, então às voltas com explosivos índices de inflação e o serviço de uma das maiores dívidas externas do mundo. O mercado interno dava claros sinais de estagnação, resultando em poucos lançamentos de produtos novos, em muitos produtos obsoletos e numa luta selvagem pelo pouco dinheiro existente no mercado.

     Como sobreviver? O mercado aparece como sendo o salvador das pátrias. Correr é fundamental. Realizar novos lucros é preciso. Inventar novos produtos que respondam às necessidades insatisfeitas, é essencial. O conflito experiência-conhecimento arrasta a empresa na engrenagem infernal da inovação-lucro.

     A multiplicação dos meios de produção encolhe o planeta, globaliza tudo. Mas não tardamos a perceber os perigos da velocidade tecnológica: o produto novo destrói o antigo, e transforma os hábitos radicalmente. E a duração de vida dos bens e do conhecimento encurta cada vez mais, atingindo, muitas vezes, um simples piscar de olhos.

     Produtos novos exigem profissões novas, enquanto os bens e as especializações de trabalho desaparecem em desuso. Sem poder parar, o homem é convocado a se adaptar. Fala-se em instrução permanente e em reciclagens, como se faz com materiais usados e desgastados. Muitos são os rejeitados, e logo rotulados de aposentados, pré-aposentados, desempregados estruturais, pedintes de empregos, ou novos-pobres.

     Então, reduzir custos de pessoal vira obsessão. A qualidade geral despenca, é lógico! Antecipar aposentadorias dos salários mais altos, substituindo-os pelo terceiro escalão, a saída visível. Com a ambição de ocupar mais espaços nos mercados, as mulheres se mostram mais ousadas, lógicas e diretas ao aceitar salários menores do que os reivindicados pelos homens.

Administrar é fazer as coisas do jeito certo;
liderar é fazer as coisas certas.”
(Peter Drucker e Warren Bennis)

     A nova miopia dos negócios é vender cada vez mais caro – preços Premium –, e para número cada vez menor de consumidores. Alemanha e Japão são as únicas exceções.

     O pior ainda está camuflado no porvir! Um espírito individualista doentio, protegido numa armadura de arrogância egocêntrica porque desconhece o que seja experiência, assume o controle de tudo e de todos. Sem poder contar com referências confiáveis ao lado, busca tão-somente as amizades superficiais, que são incapazes opor resistências, e faz predominar as confusões de gêneros nas instituições em geral.

     Criou-se um universo personalista, centrado naqueles que referem tudo ao próprio eu, como centros de todo o interesse, e que, solitários tomaram como companheiros o álcool, os remédios tarjas pretas, as drogas pesadas e até o próprio computador – uma vida preferencialmente no ciberespaço (dimensão ou domínio virtual da realidade). Na época, certamente se pensou que o grande negócio era montar empresas preferencialmente sem acionistas, clientes e fornecedores – todos eles uns inconvenientes!

     Desde então, a concorrência não mais era travada no mercado, com disputas de produtos, preços etc. A concorrência acontecia dentro das próprias organizações, envolvendo as pessoas.

O consumo coisifica a pessoa

     Logo no início do prefácio do livro Ágape, lançado pelo padre Marcelo Rossi em 2010, diz Gabriel Chalita:

     “(...) Estamos acostumados a viver em um mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. A ação traz uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. A suposta amizade vive de expectativas. O que o outro pode me proporcionar? Que ganho haverei de ter ao ir a tal evento? Quem é fulano? O que ele faz? É filho de quem?

     “Tempos em que os adornos valem mais do que o essencial. Tristes tempos. As amizades interesseiras têm prazo de validade. As relações são inconsistentes. É comum, em um círculo de amigos, cada qual falar de si mesmo como um hobby. Uma geração narcisista. O pronome mais utilizado é o de primeira pessoa: ‘eu’. Tristes tempos, repito.”

     “Tempos de escassez de atitudes de misericórdia – descartar uma pessoa é mais fácil do que se desfazer de um objeto de estimação. Falta estima pelo ser humano. Vivemos em uma sociedade em que o consumo coisifica a pessoa. Quanto mais se tem, mais se deseja e, quando não se tem, o desejo também faz questão de ficar.”

     “Falta um sonho de vida e sobram angústias pelas ausências desse sonho. (...)”

     Neste contexto, não é difícil de imaginar porque o Marketing de Pessoas logo se transformou num egoísta e pretensioso Marketing Pessoal”.