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Marketing de Pessoas
“Estudei a vida dos homens e mulheres
mais bem sucedidos da história. Cada um deles tinha a imagem do seu objetivo
principal firmemente implantada em sua mente.”
(John A. Lester)
Compreende-se Produto
como qualquer Pessoa Física ou Jurídica, Atividade, Lugar ou coisa que possa
ser oferecida ao mercado para predispor à ação, aquisição, consumo ou
utilização, buscando satisfazer desejos e necessidades físicas ou psicológicas.
Diz-se Atividade ao meio
de vida, a qualquer tipo de ação, ocupação, profissão ou trabalho específico, à
política, à indústria, ao comércio, à cultura, ao esporte, às instituições de
caridade, aos grupos religiosos etc.
Assegurar a qualidade do que é crível, é o objetivo do Marketing
de Pessoas, um fenômeno presente em todas as culturas do mundo, que,
sem exceção, tem em comum uma estrutura básica de quatro elementos:
(1) História – conjunto
de narrativas orais ou escritas, históricas ou não, que será repetido
sistematicamente para os públicos-alvo;
(2) Explicação – interpretação
explícita ou implícita dos propósitos;
(3) Preceituação – conjunto
de regras e normas de como proceder, de doutrina e ensinamento, para que se
obtenha determinada resposta material ou espiritual;
(4) Estilo – sistema
coerente de linguagem, símbolos e gestuais que sintetizem a maneira de viver e
o procedimento de tratar da Pessoa, bem como sua forma de
exprimir seus pensamentos, falando ou escrevendo, facilitando sua absorção pela
memória dos públicos objetivados.
Observa-se esta estrutura básica do Marketing
de Pessoas até mesmo na elaboração de personagens para as histórias em
quadrinhos. Todo leitor fiel ao Tarzan, ao Fantasma, ao Batman ou ao Homem
Aranha, conhece perfeitamente os quatro elementos relacionados ao seu herói
preferido. Entretanto, não se pode esquecer que a imagem de uma coisa jamais
será a própria coisa.
A imagem pintada de um cavalo jamais será
o próprio cavalo, vivo e ágil. A imagem fotografada de um peixe jamais será o
próprio peixe em movimento no seu hábitat. Por mais que se possa dissecar um
golfinho, tirando fotos de cada parte de seus órgãos, não será possível ver e
apreciar os belos saltos dos delfins. Da mesma forma, a imagem pintada ou
fotografada de uma Pessoa jamais será a própria Pessoa no seu local de
trabalho, lazer ou residência.
O Marketing de Pessoas (Comercialização
de Pessoas) começa pela correta identificação dos desejos e necessidades
dos Consumidores em potencial, sejam eles Governos, Instituições, Pessoas
Jurídicas ou Pessoas Físicas (Cidadãos de tríplice personalidade: Produtor,
Consumidor e Contribuinte-Eleitor), para que então se possa criar, desenvolver
e promover a imagem do profissional realmente soberbo, com performance por
excelência, transformando-a em Marca quente de
altíssima confiabilidade. Prepara-se o plano estratégico de persuasão para dar
tratamento aos graus de receptividade e de aceitabilidade da Marca
(imagem pessoal) perante os níveis mentais dos públicos-alvo.
Depois, a preocupação da administração do
Marketing de Pessoas é ligar a Marca (Imagem
Pessoal) e bons produtos que verdadeiramente tenham qualidade, preços adequados
e que satisfaçam as necessidades de Clientes-alvo. Quando estiverem
distribuídos e promovidos ligados à Marca (Imagem Pessoal) com
eficiência, esses bens de produção ou de consumo serão vendidos com extrema
facilidade.
É certo que quando se faz o que é
correto, o mercado dá retornos bem compensatórios ao final de cada dia. E é
tudo isso que torna a Marca (Imagem Pessoal) cada vez mais
admirada e lucrativa, com reflexos altamente positivos à imagem, aos produtos e
aos resultados das organizações a ela ligadas.
Em tempos de 4ª Onda (1960) e de 5ª Onda
de Evolução Econômica (1980), pensar nos interesses e no bem-estar dos
consumidores (públicos-alvo) e da sociedade em geral quando se toma suas
decisões que envolvam a Marca (Imagem Pessoal) é também
prioridade da administração do Marketing de Pessoas.
Na hora de firmar os contratos da Marca
(Imagem Pessoal), é essencial ter convicção de que a Organização contratante
está realmente realizando o que é melhor para os Consumidores (Cidadãos de
tríplice personalidade) e para a sociedade em geral a longo prazo, quando busca
perceber, servir e satisfazer desejos individuais com a comercialização dos
seus produtos ou serviços.
Sabendo que a Marca
(Imagem Pessoal) tem o caráter de transmitir credibilidade, é imprescindível
que a administração do Marketing de Pessoas analise com extremo
cuidado a política de mercado da Organização contratante, que deve ter
percepção e saber no equilíbrio de três fatores fundamentais: (1) Sociedade
– bem-estar do ser humano; (2) Cidadãos – satisfazer os desejos dos
Consumidores a longo prazo; (3) Empresa – lucros.
Para fortalecer a confiança e a lealdade
do Cidadão de tríplice personalidade na Marca (Imagem Pessoal)
e na Marca da Organização contratante, é indispensável que
ambas sejam aclamadas pela noção de responsabilidade em relação à comunidade e
o meio ambiente (sustentabilidade etc.). As duas marcas devem enfatizar a
honestidade e a integridade, colocando as pessoas (Cidadãos) antes dos lucros.
Fazer o que é certo no Marketing
de Pessoas beneficia tanto os Consumidores (Cidadãos) e a sociedade em
geral quanto a Marca (Imagem Pessoal) e Marca
da Organização contratante.
O Marketing
de Pessoastem muito que fazer pelos mais diversos profissionais por
excelência, seja criando, mantendo, ampliando ou alterando atitudes, níveis
mentais, comportamentos ou preconceitos existentes em públicos por eles
objetivados. Líderes empresariais empregam o Marketing de Pessoas
como estratégica ferramenta para gerar ou promover um volume maior de negócios
para suas empresas. Profissionais liberais fazem Marketing de
si mesmos para promover suas reputações e aumentar seus negócios.
O Marketing de Pessoas é
também utilizado por atletas e artistas, que objetivam alavancar suas carreiras
e ampliar seus contratos, patrocínios e rendimentos. Os políticos se servem do Marketing
de Pessoas para elevar suas imagens a posições de destaque, obtendo
mais apoios e votos.
Uma boa alternativa para os negócios, até
mesmo às instituições de caridade ou aos grupos religiosos, auxiliando
decisivamente na concretização de seus objetivos e metas, é usar o Marketing
para associar a imagem de Pessoas por excelência com
organizações e seus produtos, intenções, propostas ou crenças.
Fundamentalmente, entretanto, jamais o Marketing
de Pessoas, que se baseia em fatores fundamentais do caráter
encontrados em grau menos ou mais acentuado em todo comportamento humano
(Emotividade, Atividade e Repercussão), será eficiente na criação de uma imagem
perene quando procure transformar ficção em realidade (vida real), espírito
autocrata em democrata, inexperiência em experiência, introvertido em
extrovertido, não-emotivo em emotivo, não-ativo em ativo.
Não adianta querer usar o Marketing
de Pessoas para criar ou inventar uma imagem que esteja muito além do
que determinada Pessoa é, nem para incrementar expectativa
excessiva em relação às suas idéias, pois este tipo de esforço só nos faz
entrar pelos enganosos caminhos do “Marketing Pessoal”.
Um exemplo dos mais repetitivos no
emprego enganoso do “Marketing Pessoal”
nos vem do futebol: ser um bom jogador, até bastante popular em seu clube ou
regionalmente, não é fato suficiente para assegurar que ele possa
transformar-se em incessante gênio da bola, capaz de alicerçar sua Marca
(Imagem Pessoal).
Conseqüência das precárias condições de
convivência instável, formação, instrução e ambiente de treinamento dos
jogadores de futebol, geralmente quase nenhum deles tem estrutura para assumir
a verdadeira e complexa atitude de Atleta, que se exercita física e
psicologicamente (forte motivação e desejo de competição) em face dos desafios
diários e para entrar e agüentar disputados campeonatos. Inúmeros jogadores
chegam até mesmo a integrar a Seleção nacional, mas permanecem pensando e
agindo como jogadores que têm o dom especial de saber jogar futebol.
Incontestavelmente, são jogadores que conquistaram fama e altíssimos salários;
entretanto, apesar de extremamente populares, mostram-se incapazes de alicerçar
sua Marca (Imagem Pessoal). Michael Jordan no basquete, Pelé e
Marta no futebol, são raríssimos exemplos de motivação constante e forte desejo
de competição.
Outra conseqüência do emprego enganoso do
“Marketing Pessoal” envolve
empresários que são destacados pela Imprensa durante um determinado ano,
recebendo Prêmios e Distinções de Empresários do Ano; porém, no ano seguinte,
esses mesmos empresários surgem sendo processados e presos em operações
fraudulentas ou por negócios ilícitos e escusos.
Outros grandes exemplos nos chegam também
das multinacionais, fazendo desfilar Executivos que se transformam da noite
para o dia em celebridades mundiais, lançando idéias revolucionárias e
até autobiografias em determinado ano; mas, pouco tempo depois, tais líderes
acabam literalmente dispensados de suas funções de liderança e somem do mapa. E
não há quem não conheça algum especialista tido como gênio
das Finanças Públicas em determinada hora e circunstância, mas que hoje é
apenas lobista ou personagem dependurado em instituições patronais.
Assim, claro está que o Marketing
de Pessoas jamais será capaz de assegurar imperecibilidade às
tentativas de se dar nova forma, feição ou caráter aos indivíduos, tornando-os
diferentes do que realmente eles são. Não há como assegurar qualidade ou
caráter de imperecível aos esforços de se alterar, modificar, transfigurar,
disfarçar ou dissimular personagens. Não há tecnologia de Marketing
capaz de converter uma pessoa de caráter Instável em Líder, um Apático em
Fleumático, um Amorfo em Social ou um ser Melancólico em um ser do tipo Ativo
(simpático, sociável, caracterizado pela atividade e o dinamismo).
Na realidade, cada
um desses oito tipos diferentes de caráter ou comportamento humano é resultante
da combinação dos três fatores fundamentais indicados a seguir,
existindo correspondência entre esses tipos caracterológicos e o pleno sucesso
nas profissões:
Emotividade – O
indivíduo é denominado de caráter emotivo se experimentar mais facilmente
prazer e dor que a média dos homens; caso contrário é não-emotivo.
Atividade – Será ativo
se a ação constituir uma necessidade e um prazer para ele; se lhe custar entrar
em ação, será não-ativo.
Repercussão – À duração
menos ou mais prolongada da influência dos acontecimentos na consciência dá-se
o nome de Repercussão. O tipo é primário quando o efeito se esvai quase logo
depois de passado o fenômeno; se a lembrança perdurar, aprofundando-se no
subconsciente, e orientar a vida, o indivíduo pertencerá ao tipo secundário.
E ainda é preciso considerar que existem fatores
complementares, cuja análise nos permite uma maior e melhor
aproximação da realidade individual, indo bem mais além da estrutura geral do
psiquismo captada e avaliada pela combinação tão-somente dos três fatores fundamentais
descritos anteriormente.
A análise desses fatores complementares é
capaz de mostrar diferenças existentes entre indivíduos do mesmo tipo, ainda
mais profundas, enraizadas. Dois deles condicionam todo o comportamento: a
amplitude do campo de consciência e a polaridade; os demais são fatores de
orientação: avidez, interesses sensoriais, ternura, paixão intelectual.
1.
Amplitude do campo de consciência:
1.1. Existem pessoas cujo psiquismo se
limita a reduzido número de representações: possuem campo de consciência
estreito. Gostam da nitidez e precisão. Tendência à análise.
1.2. Outras pessoas abrangem elevado
número de idéias, sentimentos ou imagens: possuem campo de consciência largo.
Orientam-se preferencialmente pela intuição.
2.
Polaridade, compreendendo duas atitudes anímicas opostas:
2.1. Uma caracteriza-se pela
agressividade, a violência: é o tipo masculino ou “polaridade Marte”
(na nomenclatura de Gastón Berger).
2.2. Outra, pela submissão, a astúcia: é
o tipo feminino, a “polaridade Vênus”.
3.
Avidez:
3.1. “Avidez é o desejo de ser, de
afirmar-se. É a fome, a necessidade de fazer entrar em si o mundo exterior e
transformá-lo na própria substância. É o amor de si ou o amor-próprio dos
moralistas, mas despido de toda significação ética.” (Berger)
4.
Interesses sensoriais:
4.1. Existem pessoas para as quais as
sensações não passam de meios de informação. Ouvindo uma palavra se interessam
pelo seu sentido, sem prestar muita atenção ao som. Vêem-lhe o lado útil.
4.2. A outras, ao revés, é a sensação em
si que as interessa: o encanto de uma cascata, a cor de uma fruta.
5.
Ternura, que dá direção à simpatia:
5.1. Existe o Narciso, que se compraz em
si mesmo, que nutre amor excessivo a sua imagem.
5.2. E existe o indivíduo terno, que
sintoniza com as demais pessoas, e com facilidade se compadece.
6.
Paixão intelectual:
6.1. Existe aquele cujo desejo ardente é
compreender rapidamente, não se importando por não estar acumulando
conhecimentos. A tendência a entesourar saber é condicionada pela avidez.