1 de dez. de 2007

ADENDO 2e (5/5) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal"



Parte: 5/5

As confusões de gêneros 
explodem no Brasil

Conhecimento não é aquilo que você sabe, mas o que você faz com aquilo que sabe.”
(Aldous Huxley)

     Pelas razões que estão aqui descritas e analisadas a seguir, a realidade brasileira desde 1981-1983 entra numa fase de confusões de gêneros na Política e na Economia, com profundas influências no universo da Comercialização (Marketing) e nas atividades de Comunicação Social. Confundiu-se Marketing com Propaganda, Publicidade com Propaganda, Comunicação com Comunicações, Classes Sociais (categorias de cidadãos baseadas em distinções de ordem social ou jurídica) com Grupos ou Faixas de Renda (Remunerações por tipos de atividades profissionais) etc.

     Fórmulas de cálculo dos Índices de Inflação se confundiram com os Aumentos Percentuais nos Preços. O Lucro apurado no exercício (período entre dois balanços de uma empresa) acabou confundido com a possibilidade irreal de se calcular quanto de “Lucro Semestral” ou “Lucro Trimestral” (expectativa orçamental de Renda Bruta nas operações comerciais ou financeiras). A Contabilidade de Custos foi confundida com as planilhas de custos. Enfim, desde a década de 1980, Receita Mensal (valor total das vendas de uma empresa, num dado mês) é ainda confundida com cálculo irreal de “Lucro Mensal”, que se acredita apurar depois de deduzidas as despesas fixas ou dominadas.

     Quando um país sequer se apercebe como sendo um eterno país emergente é normal confundir-se até navio graneleiro, que transporta cargas a granel geralmente de exportação, com navio contêiner, que, no geral, traz as importações de produtos industrializados acondicionados em grandes caixas padronizadas.

     Conseqüência das confusões de gêneros que ainda aparecem nos escritos de desavisados e preconceituosos autores de novelas ou que ainda são propagadas por parcela da imprensa que se acha habilitada em assuntos de Economia e Negócios, a maioria das pessoas ainda pensa que o Marketing se resume a argumentos criativos de venda, propaganda e publicidade, autopromoção e muita badalação em eventos sociais, desportivos etc.

     O conceito moderno de Marketing e o conceito de Venda que existe desde a Antiguidade, são freqüentemente confundidos. Muitos dos que hoje afirmam praticar o Marketing em suas atividades, na realidade não o colocam em ação porque lhes falta substância – a parte real, essencial, da plena consciência de se satisfazer as necessidades do Cidadão de tríplice personalidade (Produtor, Consumidor e Contribuinte-Eleitor). Conhecimento e experiência forjados na prática diária e resultantes de estudos de formação e instrução são indispensáveis para se transformar um profissional (ou instituição) orientado para Vendas em alguém (ou organização) orientado para o Marketing.

     Haja confusão de gêneros! Num País sem memória, e que não sabe estabelecer sequer distinção entre pessoas ou coisas, tudo isto acontece desordenadamente misturado. Os vendedores de ilusões, ditos “Marketeiros” que surgiram não se sabe bem de onde, agradecem.
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As necessidades do mercado e os 
novos “Especialistas Marketeiros
     Em nada semelhante aos vendedores e aos demais profissionais da 3ª Onda de Evolução (Produção e Distribuição à larga) que detinham apenas competência técnica, a predominância do Consumidor nas decisões de Comercialização tornou imprescindível que os novos vendedores e profissionais da 4ª Onda (1960) passassem a entender as necessidades do mercado, prestando plena orientação e assistência aos Clientes.

     Mas a confusão de gêneros no Marketing Pessoal asseverando direitos supostos porque reivindicados por uma vaidade exagerada, logo os transformou em especialistas. Todos eles continuaram despreparados diante das necessidades do mercado de 4ª Onda e posteriormente de 5ª Onda (1980), mas, desde então todos eles já se acharam especialistas.

     Diante da badalação que envolve de glamour e magnetismo o Marketing, que tem a atratividade da promessa de se exercer influência na vontade de outros, e não tendo havido preparo, formação e instrução de novos profissionais especializados em Comercialização na quantidade e qualidade que eram necessárias ao País, logo os Publicitários, os Assessores de Imprensa e Relações Públicas, e até os arrumadores de display, todos, afinal, logo exigiram o cargo de Marketeiro.

     É isso aí! Sendo todos especialistas e Marketeiros, sempre irão existir respostas prontas para tudo. A Educação no Brasil está péssima, mas estamos repletos de Especialistas em Educação. A Segurança está periclitante, mas igualmente estamos repletos de Especialistas em Segurança. O mesmo também acontece com a Saúde Pública, o Trânsito, os Aeroportos, o Petróleo, as Finanças, as operações de Câmbio, o mercado de Ações, os Correios etc.. Não há quase nada funcionando bem no País; porém, estamos repletos de Especialistas concedendo entrevistas aos canais de TV-News..
 .
Se a notícia foi transmitida pelo Repórter Esso,
certamente é verdade.”
 .
     As boas técnicas e práticas de Relações com a Imprensa são fundamentais ao Marketing de Pessoas, e imprescindíveis ao Marketing Pessoal.

     Com nossa experiência vivencial em redações de múltiplos veículos da Imprensa beirando meio século, pode-se afirmar que, desde a década de 1980, o Jornalismo de assuntos políticos, econômicos e sociais foi um dos setores mais afetados pelas transformações impostas pelo espírito personalista do enganoso Marketing Pessoal, e isto no mundo inteiro.

     Qualidade fundamental da Imprensa especializada até então, a responsabilidade de buscar previsões, divulgando-as com cada vez mais exatidão, foi substituída sem constrangimentos pelos achismos. Na realidade, é a massificação desse péssimo exemplo da Imprensa que faz predominar a tendência de todo homem se julgar detentor de poder autocrata e infalível para poder achar, prejulgar e tudo opinar sobre tudo e todos.

     Até a década de 1970, se determinada notícia havia sido dada no Repórter Esso, antigo telejornal da extinta TV-Tupi (a primeira emissora do Brasil), o público sabia que podia confiar porque certamente era verdade. Os jornalistas e apresentadores Heron Domingues (desde os tempos do Repórter Esso no rádio) e Gontijo Teodoro eram a imagem da credibilidade, e imprimiam o ritmo da seriedade no noticiário brasileiro. Por seu lado, o patrocinador e a sua agência de publicidade mantinham uma equipe, coordenada por Segismundo Rocha Spiegel, presente na Redação do Repórter Esso, exigindo conteúdo e veracidade aos fatos noticiados. E ninguém reclamava, ao contrário. Assegurar a qualidade do que é crível, era objetivo comum.
Não mais do que de repente, entretanto, a segunda metade dos anos 80 viu prevalecer um Jornalismo que era mais opinião do que apresentação e descrição dos fatos, valendo mais quem tinha acesso a quem do que quem tinha realmente conhecimento atualizado sobre o que falava ou escrevia.

     É conhecido no meio jornalístico, o caso do ex-presidente da República, ainda vivo, que se notabilizou no cenário paulista, e depois nacionalmente, atuando como fonte de informações para jornalistas enquanto promovendo-se como acesso privilegiado. Ele sempre soube que é o embate dos políticos que levanta as inimagináveis versões para cada acontecimento, enquanto ao jornalista cabe preparar a opinião. E é tudo isso que cria um campo fértil para o egocêntrico “Marketing Pessoal”. Quando um jornalista se engana ou é seduzido por falsas idéias ou promessas, todos nós acabamos enganados.

     Nascido em 1918, o acadêmico e escritor francês Maurice Druon, ministro da Cultura em 1972, já se indagava: se os políticos seguem a opinião do público, e falam de um futuro de duas décadas, podemos perguntar quem é que faz a opinião deste público. A Mídia, que vê e fala do futuro de daqui a 24 horas, é a resposta. Portanto, o jornalista tem razão quando se julga um poder, ou um contra poder.

     Sendo um poder não eleito, o exercício da profissão de Jornalista é de extrema dificuldade. É fundamental que nada (idéias, interesses e dinheiro) ou ninguém (governos, instituições e pessoas) exerça pressão sobre a Imprensa, pois quem transmite informação não pode ser um prisma que aliena, deforma ou desinforma. Ao confundir informação e opinião, invertem-se os valores, confundem-se os gêneros das coisas e aumenta a confusão, abrindo espaço para que defensores de ideais antagônicos façam explodir escândalos políticos e financeiros que se propagam pelo mundo inteiro.

     As emissoras de TV gastam fortunas para enviar suas equipes de repórteres, cinegrafistas e técnicos para cobrir os mais diferentes tipos de eventos, in loco, nos mais distantes rincões da Terra; entretanto, na hora da edição do que vai ao ar, a presença física do jornalista ganha quase todo o espaço da matéria. Não há nada mais personalista e absurdo!