1 de dez. de 2007

ADENDO 2 (4) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal" // 1975




     O panorama político e econômico internacional muda radicalmente com o término da Segunda Grande Guerra. EUA e URSS surgem como grandes potências, enquanto a Europa e o Japão, contabilizando enormes perdas materiais e humanas, são rebaixados no ranking.

     Uma nova etapa nuclear promove a Terceira Partilha (Bretton Woods e Yalta), que divide a Terra em dois campos: um capitalista (EUA) e outro comunista (URSS). Da disputa pela hegemonia mundial surge a Guerra Fria, o jogo da ameaça com o terror atômico.

     John Maynard Keynes (1883-1946), economista inglês e inimigo do liberalismo econômico, não crê no livre jogo das leis naturais da economia. Para ele, o Estado deve regularizar a atividade e a expansão econômica, utilizando o principal meio à sua disposição: a moeda. Em Bretton Woods (1944), Keynes visualiza o estabelecimento de uma autoridade mundial capaz de zelar pela manutenção do equilíbrio econômico do planeta, e faz nascer o FMI (Fundo Monetário Internacional), sendo o seu primeiro executivo maior.

     Partidário do estatismo, do dirigismo, Keynes é também internacionalista, o que o aproxima perigosamente de Karl Heinrich Marx(1818-1883). Keynes respeita a propriedade privada, mas dá um poder monopólio mundial aos banqueiros, enquanto Marx denuncia a propriedade privada, e dá um poder monopólio ao Estado, coletivizando os meios de produção. Na realidade, ambos sonham com uma ditadura internacionalista agindo sobre a moeda ou a produção, o que vem a dar no mesmo quanto aos efeitos perversos.

     Keynes institucionaliza o crédito, a indústria do papel, e o mundo enriquece sem produzir, endividando-se sem parar.

     É tempo de viabilizar os planos racionais de reconstrução da Europa e de descolonização da Ásia e da África. O caminho para os foguetes lançadores de satélites (Sputinik 1, em 1957) é aberto pelos velhos aviões e pelas bombas voadoras da Alemanha nazista. Com o Vostok, em 1961, viajar pelo espaço mostra-se possível. A 21 de julho de 1969, o homem pisa na Lua.

     Como o controle das dívidas nacionais está perdido – situação ainda não admitida por ninguém na segunda metade da década de 1960 – e as estruturas de produção e distribuição da 3ª Onda de Evolução demonstram clara saturação, o mundo experimenta nova etapa de conflito comercial. No cenário global, o Japão e a Alemanha são as exceções, os dois únicos países que estão produzindo cada vez mais e internacionalizando suas economias, montando a infra-estrutura necessária à busca e conquista de novos mercados. Na contramão, os países que têm como parâmetro, bússola e mercado os EUA só fazem discutir o sexo dos anjos das doutrinas econômicas, enquanto produzindo cada vez menos e para cada vez menos consumidores. No país de Tio Sam, a maioria das empresas está satisfeita com a pujança do mercado interno, e apenas uma minoria demonstra interesse no comércio exterior.

      Os Estados Nacionais, as empresas estatais e as grandes corporações, grandes compradores institucionais e sustentadores da Economia mundial estão terrivelmente endividados, e dificilmente vão poder cumprir com seus compromissos financeiros – pagar o principal, mais os juros da dívida; portanto, é certo que uma crise das mais sérias se aproxima.

     Como sobreviver? O mercado gerado pela 4ª Onda (1960) aparece como sendo o salvador das pátrias, realidade que japoneses e alemães já perceberam há muito tempo. Nos primeiros anos da década de 1970, surgem os Tigres Asiáticos exportando seus produtos para mercados até então impenetráveis. Como não sabem o que fazer para reagir, os demais países tão-somente observam, reclamam e tentam criar barreiras ou reservas de mercado.

     O sucesso do Japão e dos Tigres Asiáticos na internacionalização, resulta no aniquilamento de setores inteiros da tradicional economia mundial, fazendo crescer o desemprego nos países industrializados. Então, correr é fundamental, pois logo o mundo estará diante da 5ª Onda de Evolução (1980). Mas toda corrida traz riscos.

     Nova realidade percebida por poucos, a etapa da eletricidade e do petróleo dá lugar à etapa da eletrônica e da energia nuclear, enquanto a Revolução Verde (biotecnologia), aperfeiçoada desde 1960, revoluciona a produção de alimentos. Antigos grandes compradores tornam-se grandes vendedores para o mercado mundial.

     A Informática logo estará mudando os padrões, impondo um mercado extremamente competitivo e impedindo que qualquer um tenha posição garantida, pois as inovações tecnológicas padronizam os processos de produção. Qualquer produto pode ser fabricado em qualquer lugar do mundo.

     Diante de Estados nacionais literalmente falidos, os avanços só podem acontecer no terreno da iniciativa privada. Portanto, é preciso que a teoria do desenlaçamento dos Estados na economia tome forma, e o mais rapidamente possível.

     Afirma-se estar comprovado que o setor competitivo só é viável sob a condição formal de que não seja gerido pelo Estado. O Estado talvez possa ser fiador, gerente jamais. Todavia, na realidade política dominante, até a ONU havia sido criada à imagem e semelhança de um governo com seus ministérios. Esquecer as idéias de Keynes, é essencial. Portanto, as mudanças serão radicais, em máxima aceleração.

     Em pouco tempo, os EUA entrarão num período de relativo declínio, e a URSS simplesmente implodirá. A Europa Oriental acabará em crise, contrastando com o sucesso do renascimento asiático. Assim, desde 1975, o mundo está envolvido pela formatação de uma 2ª fase global pós 2ª Guerra, de um novo Sistema com o qual se pretende reger a Economia Mundial na primeira metade do Século 21.

     É fundamental que não percamos de vista que, dentro em pouco, logo no raiar dos anos de 1980, porque seguindo o curso biológico da vida humana, mutações irão conduzir ao esgotamento da Guerra Fria, e ao declínio das ditaduras instaladas na Europa, América Latina, África e Ásia. Alternativa imposta ao lado capitalista do mundo ao raiar da segunda metade do século 20, desde Bretton Woods, o sistema econômico de Keynes já está estrangulando a Economia mundial, enquanto novas tecnologias estão implodindo com as antigas estratégias.

Termina a Guerra do Vietnã

     Em março de 1975, em Portugal, após a fracassada tentativa do golpe contra-revolucionário de Spínola, o governo é dominado por um triunvirato formado pelos generais Costa Gomes, Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. As mudanças prosseguem no país. O triunvirato aplica uma inexplicável política de estatizações de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras, dá fim às guerras coloniais e convoca eleições para Assembléia Constituinte. Em abril, o moderado Partido Socialista de Mário Soares vence as eleições.

     Em 30 de abril, os comunistas tomam Saigon, enquanto o general Duong Minh assina a rendição. É o final da Guerra do Vietnã. Saigon é rebatizada como cidade de Ho Chi Minh. A Tailândia vai começar a receber maciços investimentos ocidentais, gerando acelerado crescimento de sua economia. 

Avanços da Informática

     Tecnologia e ciência aprofundam cada vez mais sua interdependência e caráter de produção coletiva. A pesquisa tecnológica sempre foi exclusividade de países ricos e com governos mais inteligentes, e de grandes empresas multinacionais. Entretanto, os avanços tecnológicos da informática minimizaram as necessidades de vultosos capitais, grandes instalações, inúmeros equipamentos e de múltiplos funcionários especialistas que, até então, eram indispensáveis no campo das pesquisas industriais de alta tecnologia.

     Quando a Informática começa a lançar produtos novos e serviços cada vez mais revolucionários no mercado, faz surgir novos negócios, com novos produtos e serviços diferenciados, sendo que muitos deles desenvolvidos em garagens residenciais, em pequenas oficinas de cidades periféricas. E muitos desses produtos novos e seus componentes são oriundos de novos países produtores.

     Com o emprego intensivo da informática, o espírito também das micro e pequenas empresas passa a priorizar a pesquisa avançada. O negócio então é pesquisar produtos para vender aos novos mercados consumidores, tanto governamentais, industriais, comerciais e domésticos. O negócio é lançar marcas e produtos globais no mundo inteiro. ]

     O primeiro computador pessoal nasce em 1975-76, na garagem residencial de Steve Jobs e Steve Wozniac, com o nome de Apple 1. Uma pequena garagem em PaIo Alto, na Califórnia, será o berço da hoje poderosa Hewlett-Packard. Justamente em 1975, também nos EUA, dois jovens recém-formados de Harvard, Bill Gates e Paul Allen, fundam a Microsoft, que logo se tornará a companhia líder de software do mundo.

     Desde então, a renda de uma pessoa passa a ser definida pelos conhecimentos, habilidades, estilo e forma de aprender a pensar, sonhar e empreender, independente da terra de sua naturalidade. Privilégio de uma minoria, é óbvio. Esta nova realidade veio contrastando com a maioria da população da Terra, que prosseguiu condicionada ao simples aprender para fazer, tão-­somente habituada a rezar, a viajar quando por conta de drogas ou a apostar. Alguns optaram pela riqueza dos negócios escusos, tudo por conta e risco de um mercado de capitais movido à especulação, que também foi logo percebido e dominado pelas Máfias do submundo global.

     Tendo como lastro o mercado salvador das pátrias gerado pela 4ª Onda (1960), a corrida mundial para sobreviver mostra-se perigosa, e vai deixando indivíduos aos milhões pelo caminho, desempregados, excluídos. 

Massa de excluídos

     EUA à frente, os países mais industrializados e ricos se tornam os grandes apostadores do mercado financeiro e os grandes consumidores inveterados de entorpecentes e outras drogas legalizadas, viabilizando a internacionalização do narcotráfico e de todos os demais negócios ilícitos. Ingenuamente, a mídia internacional trata o tema como crônica policial.

     Nos países pobres, o fanatismo religioso apresenta estupendo crescimento, tanto como comércio descarado da fé quanto instrumento estratégico de sustentação de Estados nacionais, muitas vezes servindo para justificar o terrorismo internacional.

     Sempre haverá um poder precisando que a ignorância, a fome e a pobreza sejam promovidas à categoria de virtudes capitais, sendo também verdade que nenhum poder consegue evitar a tentação de se criar novas seitas-ideologias-dogmas, com ou sem tiara, cetro e trono, que permitam ao homem tornar-se, senão o próprio Deus, pelo menos seu representante. Nada como ter um chefe sempre infalível!

     Todas essas novas seitas-ideologias-dogmas se caracterizam pela busca das maiores reservas disponíveis de almas a serem convertidas, e aceitam qualquer tipo de composição e negociação. Afinal, a mundialização é e sempre será o verdadeiro objetivo de tudo, apesar de Charles Robert Darwin (1809-1882), desde 1859, já ter contradito a Bíblia e demonstrado que Deus, na realidade, criou a vida. O homem é resultado de uma evolução biológica, jamais um descendente de Adão e Eva. O pecado da maça nunca aconteceu.

     Na Grécia Antiga, os filósofos naturais, precursores da física, já estavam interessados em racionalizar o mundo sem recorrer à intervenção divina. Eles não caíram na armadilha das idéias e das palavras; e, assim, no século 5º a.C. nasceu a primeira teoria atômica.

     De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? O leque de respostas é fantástico e está na exata proporção da imaginação de cada um. Diante do homem espiritual que se recusa a morrer, o negócio religioso sobrevive ao levantar o problema da vida futura.

     A doença, a fome e a ignorância predispõem a todas as formas de escravatura e, portanto, de ditadura, seja civil, militar ou religiosa. Desde a segunda metade dos anos 1970, como alternativa de poder diante da assustadora massa de excluídos, os dogmas religiosos se levantam contra a evolução tecnológica, sendo que alguns xiitas não apenas se recusam a seguir a evolução materialista, mas também a condenam, com máxima veemência e rigor.

“- Tu trabalhas à custa de suor, tu não cansas, tu pedes, e executa”.

     Desde a infância, o homem é adestrado na religiosidade para que creia que é preciso quase divinizar-se para então superar-se; e por sedução, que será pela passagem obrigatória que ganhará o superior saber e desfrutará do paraíso. Haja Deus!

“- É mais fácil um camelo passar...”

     A sobrevivência pelo trabalho continua sendo obrigatória na Terra; mas, segundo os dogmas, o fruto deste mesmo trabalho é pecado terrestre. Só vale transmudar o labor suado no prêmio eterno! Assim, tornar suspeito qualquer prazer da vida, fica fácil.

     Os soviéticos, instigadores dos movimentos conhecidos como de libertação, aproveitam de tudo para intoxicar seus mercados-alvo. Afinal, há muito tempo que a riqueza é suspeita. Tal síntese do cristianismo e do marxismo ensina que por trás de cada fortuna se escondem apenas crimes e seres impugnados.

     Por conta disso tudo, os novos exércitos de fanáticos religiosos são cada vez mais terríveis. Um núcleo em potencial que se considera inspirado por uma divindade, dá forma a cada soldado que se acha Iluminado, e que acredita que irá transformar sua derrota aqui na Terra – ausência de perspectivas – em vitória no além. Basta tão-somente morrer! E matar, mesmo que na qualidade de falso mártir ou de herói desinformado, pois a crença intolerante legaliza todos os excessos.

     Existe igualmente o excluído arregimentado pelo chamado crime organizado: soldado do ódio urbano, que exige um poder de compra acima da riqueza que ele não produz.

     Apenas os endeusados são visíveis às autoridades e à opinião pública, enquanto a comunidade monoteísta da cumplicidade silenciosa, da passividade e da culpabilidade, ainda crê que tudo seja resultante de uma ordem divina.

     É lógico que serão sempre minorias desinformadas e intolerantes, mas terrivelmente ativas. A paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém, incentivada e repetitiva, transforma-se em devastadora motivação pelo ódio, tornando o homem um ser maquinal, inconsciente. Mas o homem fica sujeito às leis da mecânica quando se transforma em simples máquina. Para toda ação há uma reação equivalente e contrária, adverte a física. E o processo assim não pára.

     Como resultado prático dessas chamadas guerras santas, os principais alvos da agressão, vítimas inocentes e apenas materialistas que querem merecer tudo aqui na Terra mesmo, acabam sempre dando um passo mais extremado à direita, e é aí que tudo se fecha de vez, precipitando os problemas que já conhecemos muito bem. 

Regime Militar brasileiro

     No Brasil, em pleno Regime Militar sob a presidência do general e político Ernesto Beckmann Geisel (1907-1996), 29º Presidente do País de 1974 a 1979, o cerceamento à liberdade de expressão e o autoritarismo convivem com o final do período de rápido crescimento (“milagre”) econômico. A inflação de 81,3% (1963) e de 91,9% (1964) ha­via baixado para 24,3% (1967) e situava-se então nos 29,4%. O PNB, de uma média acima dos 10% entre 1968 e 1973 (com exceção dos 8% de 1970), despencara para 5,6%, refletindo o início da crise industrial e o aumento do desemprego no Brasil.

     Mecanismos de concentração de renda, endividamento externo e abertura ao capital estrangeiro sustentam a diversificação e modernização da indústria e dos serviços no País. 0 endividamento externo bruto do País, em US$ bilhões correntes, salta de 2.62 (1964) para 21.17 (1975). Os indicadores da Qualidade de Vida da população assustam: o Brasil é o 9º PNB do mundo, mas perde em des­nutrição apenas para Índia, Indoné­sia, Bangladesh, Paquistão e Filipi­nas. A estimativa da renda per capi­ta (US$ 1 p/hab.) projeta um sal­to de US$ 451 (1971) para US$ 1.034 (1975).

     O presidente Ernesto Geisel foi decisivo para o início da abertura política e a extinção do AI-5, apesar de enfrentar a forte oposição dos militares e políticos chamados de linha-dura. Estes eventos amenizaram o rigor do regime militar brasileiro e viabilizaram a evolução do processo de redemocratização do País.

     O governo Geisel ficou também marcado pelos seguintes acontecimentos: o reatamento das relações diplomáticas com a República Popular da China, o reconhecimento da independência de Angola, a realização dos acordos nucleares com a Alemanha, o impulso definitivo à construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, e o preparo da sua sucessão, com a indicação do presidente João Batista de Oliveira Figueiredo (1918-1999), eleito 30º Presidente do Brasil de 1979 a 1985.