O panorama
político e econômico internacional muda radicalmente com o término da Segunda
Grande Guerra. EUA e URSS surgem como grandes potências, enquanto a Europa e o
Japão, contabilizando enormes perdas materiais e humanas, são rebaixados no ranking.
Uma nova etapa
nuclear promove a Terceira Partilha (Bretton Woods e Yalta),
que divide a Terra em dois campos: um capitalista (EUA) e outro comunista
(URSS). Da disputa pela hegemonia mundial surge a Guerra Fria, o jogo
da ameaça com o terror atômico.
John
Maynard Keynes (1883-1946), economista inglês e inimigo do liberalismo
econômico, não crê no livre jogo das leis naturais da economia. Para ele, o
Estado deve regularizar a atividade e a expansão econômica, utilizando o
principal meio à sua disposição: a moeda. Em Bretton Woods (1944), Keynes
visualiza o estabelecimento de uma autoridade mundial capaz de zelar pela
manutenção do equilíbrio econômico do planeta, e faz nascer o FMI (Fundo
Monetário Internacional), sendo o seu primeiro executivo maior.
Partidário do estatismo,
do dirigismo, Keynes é também internacionalista, o que o
aproxima perigosamente de Karl Heinrich Marx(1818-1883). Keynes
respeita a propriedade privada, mas dá um poder monopólio mundial aos
banqueiros, enquanto Marx denuncia a propriedade privada, e dá
um poder monopólio ao Estado, coletivizando os meios de produção. Na realidade,
ambos sonham com uma ditadura internacionalista agindo sobre a moeda ou a
produção, o que vem a dar no mesmo quanto aos efeitos perversos.
Keynes
institucionaliza o crédito, a indústria do papel, e o mundo enriquece
sem produzir, endividando-se sem parar.
É tempo de
viabilizar os planos racionais de reconstrução da Europa e de
descolonização da Ásia e da África. O caminho para os foguetes lançadores de
satélites (Sputinik 1, em 1957) é aberto pelos velhos
aviões e pelas bombas voadoras da Alemanha nazista. Com o Vostok, em
1961, viajar pelo espaço mostra-se possível. A 21 de julho de 1969, o homem
pisa na Lua.
Como o
controle das dívidas nacionais está perdido – situação ainda não admitida por
ninguém na segunda metade da década de 1960 – e as estruturas de produção e
distribuição da 3ª Onda de Evolução demonstram clara saturação, o mundo
experimenta nova etapa de conflito comercial. No cenário global, o Japão e a
Alemanha são as exceções, os dois únicos países que estão produzindo cada vez
mais e internacionalizando suas economias, montando a infra-estrutura
necessária à busca e conquista de novos mercados. Na contramão, os países que
têm como parâmetro, bússola e mercado os EUA só fazem discutir o sexo dos
anjos das doutrinas econômicas, enquanto produzindo cada vez menos e para
cada vez menos consumidores. No país de Tio Sam, a maioria das empresas está
satisfeita com a pujança do mercado interno, e apenas uma minoria demonstra
interesse no comércio exterior.
Os Estados
Nacionais, as empresas estatais e as grandes corporações, grandes compradores
institucionais e sustentadores da Economia mundial estão terrivelmente
endividados, e dificilmente vão poder cumprir com seus compromissos financeiros
– pagar o principal, mais os juros da dívida; portanto, é certo que uma crise
das mais sérias se aproxima.
Como
sobreviver? O mercado gerado pela 4ª Onda (1960) aparece como sendo o salvador
das pátrias, realidade que japoneses e alemães já perceberam há muito
tempo. Nos primeiros anos da década de 1970, surgem os Tigres Asiáticos
exportando seus produtos para mercados até então impenetráveis. Como não sabem
o que fazer para reagir, os demais países tão-somente observam, reclamam e
tentam criar barreiras ou reservas de mercado.
O sucesso do
Japão e dos Tigres Asiáticos na internacionalização, resulta no aniquilamento
de setores inteiros da tradicional economia mundial, fazendo crescer o
desemprego nos países industrializados. Então, correr é fundamental, pois logo
o mundo estará diante da 5ª Onda de Evolução (1980). Mas toda corrida traz
riscos.
Nova realidade
percebida por poucos, a etapa da eletricidade e do petróleo dá lugar à etapa da
eletrônica e da energia nuclear, enquanto a Revolução Verde (biotecnologia),
aperfeiçoada desde 1960, revoluciona a produção de alimentos. Antigos grandes
compradores tornam-se grandes vendedores para o mercado mundial.
A Informática
logo estará mudando os padrões, impondo um mercado extremamente competitivo e
impedindo que qualquer um tenha posição garantida, pois as inovações
tecnológicas padronizam os processos de produção. Qualquer produto pode ser
fabricado em qualquer lugar do mundo.
Diante de
Estados nacionais literalmente falidos, os avanços só podem acontecer
no terreno da iniciativa privada. Portanto, é preciso que a teoria do desenlaçamento
dos Estados na economia tome forma, e o mais rapidamente possível.
Afirma-se
estar comprovado que o setor competitivo só é viável sob a condição
formal de que não seja gerido pelo Estado. O Estado talvez possa ser fiador,
gerente jamais. Todavia, na realidade política dominante, até a ONU havia sido
criada à imagem e semelhança de um governo com seus ministérios. Esquecer as
idéias de Keynes, é essencial. Portanto, as mudanças serão
radicais, em máxima aceleração.
Em pouco
tempo, os EUA entrarão num período de relativo declínio, e a URSS simplesmente
implodirá. A Europa Oriental acabará em crise, contrastando com o sucesso do
renascimento asiático. Assim, desde 1975, o mundo está envolvido pela
formatação de uma 2ª fase global pós 2ª Guerra, de um novo Sistema com o qual
se pretende reger a Economia Mundial na primeira metade do Século 21.
É fundamental
que não percamos de vista que, dentro em pouco, logo no raiar dos anos de 1980,
porque seguindo o curso biológico da vida humana, mutações irão conduzir ao
esgotamento da Guerra Fria, e ao declínio das ditaduras instaladas na
Europa, América Latina, África e Ásia. Alternativa imposta ao lado capitalista
do mundo ao raiar da segunda metade do século 20, desde Bretton Woods,
o sistema econômico de Keynes já está estrangulando a Economia
mundial, enquanto novas tecnologias estão implodindo com as antigas
estratégias.
Termina a Guerra do Vietnã
Em março de
1975, em Portugal, após a fracassada tentativa do golpe contra-revolucionário
de Spínola, o governo é dominado por um triunvirato formado pelos generais
Costa Gomes, Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. As mudanças prosseguem no
país. O triunvirato aplica uma inexplicável política de estatizações de
indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras, dá fim às guerras
coloniais e convoca eleições para Assembléia Constituinte. Em abril, o moderado
Partido Socialista de Mário Soares vence as eleições.
Em 30 de
abril, os comunistas tomam Saigon, enquanto o general Duong Minh assina a
rendição. É o final da Guerra do Vietnã. Saigon é rebatizada como cidade de Ho
Chi Minh. A Tailândia vai começar a receber maciços investimentos ocidentais,
gerando acelerado crescimento de sua economia.
Avanços da Informática
Tecnologia e
ciência aprofundam cada vez mais sua interdependência e caráter de produção
coletiva. A pesquisa tecnológica sempre foi exclusividade de países ricos e com
governos mais inteligentes, e de grandes empresas multinacionais. Entretanto,
os avanços tecnológicos da informática minimizaram as necessidades de vultosos
capitais, grandes instalações, inúmeros equipamentos e de múltiplos
funcionários especialistas que, até então, eram indispensáveis no campo das
pesquisas industriais de alta tecnologia.
Quando a
Informática começa a lançar produtos novos e serviços cada vez mais revolucionários
no mercado, faz surgir novos negócios, com novos produtos e serviços
diferenciados, sendo que muitos deles desenvolvidos em garagens residenciais,
em pequenas oficinas de cidades periféricas. E muitos desses produtos novos e
seus componentes são oriundos de novos países produtores.
Com o emprego
intensivo da informática, o espírito também das micro e pequenas empresas passa
a priorizar a pesquisa avançada. O negócio então é pesquisar produtos para
vender aos novos mercados consumidores, tanto governamentais, industriais,
comerciais e domésticos. O negócio é lançar marcas e produtos globais no mundo
inteiro. ]
O primeiro
computador pessoal nasce em 1975-76, na garagem residencial de Steve Jobs e
Steve Wozniac, com o nome de Apple 1. Uma pequena garagem em PaIo
Alto, na Califórnia, será o berço da hoje poderosa Hewlett-Packard. Justamente
em 1975, também nos EUA, dois jovens recém-formados de Harvard, Bill Gates e
Paul Allen, fundam a Microsoft, que logo se tornará a companhia líder de software
do mundo.
Desde então, a
renda de uma pessoa passa a ser definida pelos conhecimentos, habilidades,
estilo e forma de aprender a pensar, sonhar e empreender, independente da terra
de sua naturalidade. Privilégio de uma minoria, é óbvio. Esta nova realidade
veio contrastando com a maioria da população da Terra, que prosseguiu
condicionada ao simples aprender para fazer, tão-somente habituada a rezar, a viajar
quando por conta de drogas ou a apostar. Alguns optaram pela riqueza dos
negócios escusos, tudo por conta e risco de um mercado de capitais movido à
especulação, que também foi logo percebido e dominado pelas Máfias do submundo
global.
Tendo como
lastro o mercado salvador das pátrias gerado pela 4ª Onda (1960), a
corrida mundial para sobreviver mostra-se perigosa, e vai deixando indivíduos
aos milhões pelo caminho, desempregados, excluídos.
Massa de
excluídos
EUA à frente,
os países mais industrializados e ricos se tornam os grandes apostadores
do mercado financeiro e os grandes consumidores inveterados de entorpecentes e
outras drogas legalizadas, viabilizando a internacionalização do
narcotráfico e de todos os demais negócios ilícitos. Ingenuamente, a mídia
internacional trata o tema como crônica policial.
Nos países pobres,
o fanatismo religioso apresenta estupendo crescimento, tanto como comércio
descarado da fé quanto instrumento estratégico de sustentação de Estados
nacionais, muitas vezes servindo para justificar o terrorismo internacional.
Sempre haverá um poder precisando que a ignorância, a fome e a pobreza sejam
promovidas à categoria de virtudes capitais, sendo também verdade que nenhum
poder consegue evitar a tentação de se criar novas seitas-ideologias-dogmas,
com ou sem tiara, cetro e trono, que permitam ao homem tornar-se, senão o
próprio Deus, pelo menos seu representante. Nada como ter um chefe sempre
infalível!
Todas essas
novas seitas-ideologias-dogmas se caracterizam pela busca das maiores reservas
disponíveis de almas a serem convertidas, e aceitam qualquer tipo de composição
e negociação. Afinal, a mundialização é e sempre será o verdadeiro
objetivo de tudo, apesar de Charles Robert Darwin
(1809-1882), desde 1859, já ter contradito a Bíblia e demonstrado que Deus, na
realidade, criou a vida. O homem é resultado de uma evolução biológica, jamais
um descendente de Adão e Eva. O pecado da maça nunca aconteceu.
Na Grécia
Antiga, os filósofos naturais, precursores da física, já estavam
interessados em racionalizar o mundo sem recorrer à intervenção divina. Eles
não caíram na armadilha das idéias e das palavras; e, assim, no século 5º a.C.
nasceu a primeira teoria atômica.
De onde
viemos? Onde estamos? Para onde vamos? O leque de respostas é fantástico e está
na exata proporção da imaginação de cada um. Diante do homem espiritual
que se recusa a morrer, o negócio religioso sobrevive ao levantar o problema da
vida futura.
A doença, a
fome e a ignorância predispõem a todas as formas de escravatura e, portanto, de
ditadura, seja civil, militar ou religiosa. Desde a segunda metade dos anos
1970, como alternativa de poder diante da assustadora massa de excluídos, os
dogmas religiosos se levantam contra a evolução tecnológica, sendo que alguns
xiitas não apenas se recusam a seguir a evolução materialista, mas também a
condenam, com máxima veemência e rigor.
“- Tu trabalhas à custa de
suor, tu não cansas, tu pedes, e executa”.
Desde a
infância, o homem é adestrado na religiosidade para que creia que é preciso
quase divinizar-se para então superar-se; e por sedução, que será pela passagem
obrigatória que ganhará o superior saber e desfrutará do paraíso.
Haja Deus!
“- É mais fácil um camelo
passar...”
A
sobrevivência pelo trabalho continua sendo obrigatória na Terra; mas, segundo
os dogmas, o fruto deste mesmo trabalho é pecado terrestre. Só vale transmudar
o labor suado no prêmio eterno! Assim, tornar suspeito qualquer prazer
da vida, fica fácil.
Os soviéticos,
instigadores dos movimentos conhecidos como de libertação, aproveitam
de tudo para intoxicar seus mercados-alvo. Afinal, há muito tempo que a riqueza
é suspeita. Tal síntese do cristianismo e do marxismo ensina que por trás de
cada fortuna se escondem apenas crimes e seres impugnados.
Por conta
disso tudo, os novos exércitos de fanáticos religiosos são cada vez
mais terríveis. Um núcleo em potencial que se considera inspirado por uma
divindade, dá forma a cada soldado que se acha Iluminado, e que acredita que
irá transformar sua derrota aqui na Terra – ausência de perspectivas – em
vitória no além. Basta tão-somente morrer! E matar, mesmo que na qualidade de
falso mártir ou de herói desinformado, pois a crença intolerante legaliza todos
os excessos.
Existe
igualmente o excluído arregimentado pelo chamado crime organizado:
soldado do ódio urbano, que exige um poder de compra acima da riqueza que ele
não produz.
Apenas os endeusados
são visíveis às autoridades e à opinião pública, enquanto a comunidade
monoteísta da cumplicidade silenciosa, da passividade e da culpabilidade, ainda
crê que tudo seja resultante de uma ordem divina.
É lógico que
serão sempre minorias desinformadas e intolerantes, mas terrivelmente ativas. A
paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém, incentivada e repetitiva,
transforma-se em devastadora motivação pelo ódio, tornando o homem um ser
maquinal, inconsciente. Mas o homem fica sujeito às leis da mecânica quando se
transforma em simples máquina. Para toda ação há uma reação
equivalente e contrária, adverte a física. E o processo assim não pára.
Como resultado
prático dessas chamadas guerras santas, os principais alvos da
agressão, vítimas inocentes e apenas materialistas que querem merecer tudo aqui
na Terra mesmo, acabam sempre dando um passo mais extremado à direita, e é aí
que tudo se fecha de vez, precipitando os problemas que já conhecemos muito
bem.
Regime Militar brasileiro
No Brasil, em
pleno Regime Militar sob a presidência do general e político Ernesto
Beckmann Geisel (1907-1996), 29º Presidente do País de 1974 a 1979, o
cerceamento à liberdade de expressão e o autoritarismo convivem com o final do
período de rápido crescimento (“milagre”) econômico. A inflação de
81,3% (1963) e de 91,9% (1964) havia baixado para 24,3% (1967) e situava-se
então nos 29,4%. O PNB, de uma média acima dos 10% entre 1968
e 1973 (com exceção dos 8% de 1970), despencara para 5,6%, refletindo o início
da crise industrial e o aumento do desemprego no Brasil.
Mecanismos de
concentração de renda, endividamento externo e abertura ao capital estrangeiro
sustentam a diversificação e modernização da indústria e dos serviços no País.
0 endividamento externo bruto do País, em US$ bilhões correntes, salta de 2.62
(1964) para 21.17 (1975). Os indicadores da Qualidade de Vida da
população assustam: o Brasil é o 9º PNB do mundo, mas perde em
desnutrição apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
A estimativa da renda per capita (US$ 1 p/hab.) projeta um salto de
US$ 451 (1971) para US$ 1.034 (1975).
O presidente Ernesto
Geisel foi decisivo para o início da abertura política e a extinção do
AI-5, apesar de enfrentar a forte oposição dos militares e políticos chamados
de linha-dura. Estes eventos amenizaram o rigor do regime militar
brasileiro e viabilizaram a evolução do processo de redemocratização do País.
O governo Geisel
ficou também marcado pelos seguintes acontecimentos: o reatamento das relações
diplomáticas com a República Popular da China, o reconhecimento da
independência de Angola, a realização dos acordos nucleares com a Alemanha, o
impulso definitivo à construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, e o preparo da
sua sucessão, com a indicação do presidente João Batista de Oliveira
Figueiredo (1918-1999), eleito 30º Presidente do Brasil de 1979 a
1985.


