1 de dez. de 2007

ADENDO 2c (3/5) - MKT de Pessoas x "MKT Pessoal"



Parte: 3/5

“Marketing Pessoal”

     O dito Marketing Pessoal nada mais é do que um apelido mais pomposo e enganoso da autopromoção, tendo por base o antigo conceito de Venda. Sua prioridade é intensificar ao máximo os esforços em autopromoção e ações intensivas de venda da Imagem Pessoal criada, pois se acredita que só assim um Consumidor aceitará tal Imagem e comprará quantidade suficiente de um produto qualquer.

     Quando alguém emprega o Marketing Pessoal, é porque considera que a Pessoa em foco é um produto não demandado, alguém que não se reconhece facilmente (ausência de credibilidade no nome e na imagem) ou alguém que ninguém estará pensando natural e espontaneamente em aceitar e comprar. Assim, é essencial detectar as expectativas do público-alvo, fazer promoção de si próprio, badalar-se, implementando ações geradoras de oportunidades para se realçar seus próprios benefícios.

     Pelo uso intensivo da autopromoção e da propagação da Imagem Pessoal que se espera formar, tenta-se reduzir resistências e vender a Pessoa em foco (por exemplo, um Político ou um Executivo de Administração) aos eleitores ou às empresas, respectivamente, como sendo alguém mais adequado para determinada missão pública ou cargo.

     As idéias e os problemas do passado, as limitações e deficiências do candidato são ocultadas do público-alvo porque o objetivo é conseguir a Venda, não havendo qualquer tipo de preocupação com a satisfação posterior de quem comprar tal Pessoa.

     Existem diversas alternativas de acordo com as quais é possível con­duzir as atividades do Marketing de Pessoas; mas, na dura realidade, diante de eleitores que só "respon­dem" depois de intenso esforço pro­mocional, a maioria dos políticos, e até mesmo candidatos à Presidência dos EUA – a decantada maior democracia do mundo –, acaba tomando por base o antigo conceito de VendaMarketing Pessoal, também conhecidoporMarketing Políticona área dos fenômenos referentes ao Estado. Neste caso, o negócio é tão-so­mente detectar as expectativas e ven­der o político com base em folclorístico benefício. Na realidade, os políticos em geral, e até mesmo os candidatos à Presidência das principais Repúblicas da Terra se tornaram assemelhados aos simples produtos ou mercadorias, conseqüência do crescente e intensivo Marketing Pessoal.

     O Marketing de Pessoas cria e desenvolve uma imagem que tem origem na realidade (ver Caso Michael Jordan), enquanto o Marketing Pessoalinventa uma realidade resultante de uma imagem elaborada (ver Caso Ronald Reagan).

Na crise dos anos 80, como sobreviver?
O mercado aparece como sendo o salvador das pátrias.

     Com a finalidade de melhor avaliar e compreender a questão diferenciada que está proposta – Marketing de Pessoas versus Marketing Pessoal –, retroceder no tempo é fundamental, para nos fazer relembrar ou conhecer o raiar dos anos 1980.

     Em 1981, no estudo Enfrentando Crises Sem Choro e Sem Vela, que foi publicado em 14 de setembro no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro e transcrito na Revista Bolsa, então órgão oficial da Bolsa de Valores do Rio Janeiro, estava dito com todas as letras:

     “(...) Uma conscientização de Marketing é essencial, apesar do atraso de uma Onda de Evolução – a Quarta, desde 1960.”

     “(...) Identifique claramente o atual estágio de desenvolvimento da economia, caracterizado pela predominância dos movimentos biológicos da comercialização. O mundo, depois de ultrapassar as predominâncias das etapas agrícolas, industriais e dos complexos meios de distribuição, desde os anos 60 estabeleceu naturalmente nova ordem econômica (Quinta Onda) que precisa ser estudada e compreendida através de meios e sistemas próprios. O Marketing é simplesmente o conjunto de técnicas que devem ser usadas nestes novos tempos.”

     “A nova etapa de desenvolvimento acabou com a independência dos indivíduos em seus lares, das empresas, das instituições, dos serviços e, por extensão, dos próprios países. Não há mais possibilidade de se controlar o mercado, seja nacional ou internacional, por medidas isoladas, sem que se cometam verdadeiros crimes sociais.”

     “Os conceitos acadêmicos de Economia precisam ser urgentemente atualizados, levando-se em consideração a nova dinâmica dos mercados. Nada mais poderá ser controlado mecanicamente, mesmo que o país utilize os meios mais consagrados de emprego da força. Todos os componentes econômicos, financeiros e sociais se tornaram integrados num processo sem fim. A cada passo da comercialização de um produto qualquer, por exemplo, nascem os embriões de diversas outras comercializações, seguindo um processo biológico, onde cada organismo é um eterno gerador de diversos outros.”

     “Precisamos visualizar e compreender este novo estágio de desenvolvimento global, procurando adaptar todos os meios de instrução e formação profissional existentes à esta nova realidade.

     “(...) Precisamos estabelecer verdadeiros ‘transplantes’ econômicos, entendendo os componentes d mercado como organismos vivos.”

     “(...) As instituições, por mais fortes que elas sejam, perderam a condição autocrata em suas decisões. Não mais serão admitidas normas ou legislações fundamentadas em princípios de economia dirigida. As iniciativas isoladas que teimarem desconhecer esta nova realidade serão reduzidas ao destino de acompanhar apenas o dia-a-dia sem nenhuma possibilidade de concepção a médio ou longo prazo. Qualquer medida isolada também criará nos órgãos, provocando a eliminação de diversos outros organismos num processo de destruição em série. E será impossível se prever as mutações que o mercado como um todo sofrerá. E não restará outra medida senão aquela que chamamos de ‘administração pelo dia-a-dia’.”

     “O mundo será cada vez mais liberal, na medida de sua subdivisão em tendências naturais satisfeitas por canais próprios de comercialização, e de seu conhecimento exato daquilo que podemos entender por democracia. Todas as formas sociais impostas tenderão a falir, principalmente pela inoperância das instituições diante das condições impostas pelos novos tempos. Quanto mais culta uma sociedade, mais os sentidos de liberdade serão reivindicados. O ser humano terá uma atitude individualizada, apesar de buscar identificação na comunidade.”
“A cadeira em que você está sentado, tudo o que está vestindo, calçando, lendo ou imaginando, chegaram até você graças a diversos organismos de comercialização que estão funcionando em todo o mundo, exatamente ao mesmo tempo.”

     “A decisão do Consumidor tornou-se a mola mestra desde o novo estágio de desenvolvimento econômico iniciado com a Quarta Onda. Tudo deverá objetivar, portanto, a satisfação do ser humano, em seu sentido mais latente. (...).”

     O alerta estava dado em 14 de setembro de 1981, no estudo Enfrentando Crises Sem Choro e Sem Vela; porém, infelizmente a década de 80 foi acontecendo enquanto os homens contemporâneos permaneciam confundindo os gêneros das coisas, tão-somente discutindo se havia crise mundial ou não, e se os seus países seriam ou não envolvidos nela. Como os antigos índios mexicanos, que confundiam a arte da dança com a arte da agricultura, as lideranças mundiais permaneceram dançando para fazer chover. Portanto, não há qualquer novidade na atualidade: os homens continuam confundindo os gêneros das coisas, e cada vez mais, porque teimando em analisar as Ondas de Evolução por conta de antigos moldes ideológicos.