Parte: 3/5
“Marketing Pessoal”
O dito “Marketing Pessoal” nada mais é do que um apelido mais pomposo e
enganoso da autopromoção, tendo por base o antigo conceito de Venda.
Sua prioridade é intensificar ao máximo os esforços em autopromoção
e ações intensivas de venda da Imagem Pessoal criada, pois se acredita
que só assim um Consumidor aceitará tal Imagem e comprará quantidade
suficiente de um produto qualquer.
Quando alguém emprega o Marketing
Pessoal, é porque considera que a Pessoa em foco é um produto
não demandado, alguém que não se reconhece facilmente (ausência de
credibilidade no nome e na imagem) ou alguém que ninguém estará pensando
natural e espontaneamente em aceitar e comprar. Assim, é essencial detectar as
expectativas do público-alvo, fazer promoção de si próprio, badalar-se,
implementando ações geradoras de oportunidades para se realçar seus próprios
benefícios.
Pelo uso intensivo da autopromoção e da
propagação da Imagem Pessoal que se espera formar, tenta-se reduzir
resistências e vender a Pessoa em foco (por exemplo, um
Político ou um Executivo de Administração) aos eleitores ou às empresas,
respectivamente, como sendo alguém mais adequado para determinada missão
pública ou cargo.
As idéias e os problemas do passado, as
limitações e deficiências do candidato são ocultadas do público-alvo porque o
objetivo é conseguir a Venda, não havendo qualquer tipo de
preocupação com a satisfação posterior de quem comprar tal Pessoa.
Existem diversas alternativas de acordo
com as quais é possível conduzir as atividades do Marketing de Pessoas;
mas, na dura realidade, diante de eleitores que só "respondem"
depois de intenso esforço promocional, a maioria dos políticos, e até mesmo
candidatos à Presidência dos EUA – a decantada maior democracia do mundo –,
acaba tomando por base o antigo conceito de Venda – “Marketing
Pessoal”, também conhecidopor“Marketing
Político” na área dos fenômenos referentes ao Estado.
Neste caso, o negócio é tão-somente detectar as expectativas e vender o
político com base em folclorístico benefício. Na realidade, os políticos em
geral, e até mesmo os candidatos à Presidência das principais Repúblicas da
Terra se tornaram assemelhados aos simples produtos ou mercadorias,
conseqüência do crescente e intensivo “Marketing Pessoal”.
O Marketing de Pessoas
cria e desenvolve uma imagem que tem origem na realidade (ver Caso Michael
Jordan), enquanto o “Marketing Pessoal”
inventa uma realidade resultante de uma imagem elaborada (ver Caso Ronald
Reagan).
Na
crise dos anos 80, como sobreviver?
O
mercado aparece como sendo o salvador das pátrias.
Com a finalidade de melhor avaliar e
compreender a questão diferenciada que está proposta – Marketing de
Pessoas versus “Marketing Pessoal”
–, retroceder no tempo é fundamental, para nos fazer relembrar ou conhecer o
raiar dos anos 1980.
Em 1981, no estudo Enfrentando Crises
Sem Choro e Sem Vela, que foi publicado em 14 de setembro no Jornal do
Commercio do Rio de Janeiro e transcrito na Revista Bolsa, então
órgão oficial da Bolsa de Valores do Rio Janeiro, estava dito com todas as
letras:
“(...) Uma conscientização de Marketing é
essencial, apesar do atraso de uma Onda de Evolução – a Quarta, desde 1960.”
“(...) Identifique claramente o atual
estágio de desenvolvimento da economia, caracterizado pela predominância dos
movimentos biológicos da comercialização. O mundo, depois de ultrapassar as
predominâncias das etapas agrícolas, industriais e dos complexos meios de
distribuição, desde os anos 60 estabeleceu naturalmente nova ordem econômica
(Quinta Onda) que precisa ser estudada e compreendida através de meios e
sistemas próprios. O Marketing é simplesmente o conjunto de técnicas que devem
ser usadas nestes novos tempos.”
“A nova etapa de
desenvolvimento acabou com a independência dos indivíduos em seus lares, das
empresas, das instituições, dos serviços e, por extensão, dos próprios países.
Não há mais possibilidade de se controlar o mercado, seja nacional ou
internacional, por medidas isoladas, sem que se cometam verdadeiros crimes
sociais.”
“Os conceitos acadêmicos de Economia
precisam ser urgentemente atualizados, levando-se em consideração a nova dinâmica
dos mercados. Nada mais poderá ser controlado mecanicamente, mesmo que o país
utilize os meios mais consagrados de emprego da força. Todos os componentes
econômicos, financeiros e sociais se tornaram integrados num processo sem fim.
A cada passo da comercialização de um produto qualquer, por exemplo, nascem os
embriões de diversas outras comercializações, seguindo um processo biológico,
onde cada organismo é um eterno gerador de diversos outros.”
“Precisamos visualizar e compreender
este novo estágio de desenvolvimento global, procurando adaptar todos os meios
de instrução e formação profissional existentes à esta nova realidade.
“(...) Precisamos estabelecer
verdadeiros ‘transplantes’ econômicos, entendendo os componentes d mercado como
organismos vivos.”
“(...) As instituições, por mais
fortes que elas sejam, perderam a condição autocrata em suas decisões. Não mais
serão admitidas normas ou legislações fundamentadas em princípios de economia
dirigida. As iniciativas isoladas que teimarem desconhecer esta nova realidade
serão reduzidas ao destino de acompanhar apenas o dia-a-dia sem nenhuma
possibilidade de concepção a médio ou longo prazo. Qualquer medida isolada
também criará nos órgãos, provocando a eliminação de diversos outros organismos
num processo de destruição em série. E será impossível se prever as mutações
que o mercado como um todo sofrerá. E não restará outra medida senão aquela que
chamamos de ‘administração pelo dia-a-dia’.”
“O mundo será cada vez mais liberal,
na medida de sua subdivisão em tendências naturais satisfeitas por canais
próprios de comercialização, e de seu conhecimento exato daquilo que podemos
entender por democracia. Todas as formas sociais impostas tenderão a falir,
principalmente pela inoperância das instituições diante das condições impostas
pelos novos tempos. Quanto mais culta uma sociedade, mais os sentidos de
liberdade serão reivindicados. O ser humano terá uma atitude individualizada,
apesar de buscar identificação na comunidade.”
“A cadeira em
que você está sentado, tudo o que está vestindo, calçando, lendo ou imaginando,
chegaram até você graças a diversos organismos de comercialização que estão
funcionando em todo o mundo, exatamente ao mesmo tempo.”
“A decisão do Consumidor tornou-se a
mola mestra desde o novo estágio de desenvolvimento econômico iniciado com a
Quarta Onda. Tudo deverá objetivar, portanto, a satisfação do ser humano, em
seu sentido mais latente. (...).”
O alerta estava dado em 14 de setembro de
1981, no estudo Enfrentando Crises Sem Choro e Sem Vela; porém,
infelizmente a década de 80 foi acontecendo enquanto os homens contemporâneos
permaneciam confundindo os gêneros das coisas, tão-somente discutindo se havia
crise mundial ou não, e se os seus países seriam ou não envolvidos nela. Como
os antigos índios mexicanos, que confundiam a arte da dança com a arte da
agricultura, as lideranças mundiais permaneceram dançando para fazer chover.
Portanto, não há qualquer novidade na atualidade: os homens continuam confundindo
os gêneros das coisas, e cada vez mais, porque teimando em analisar as Ondas de
Evolução por conta de antigos moldes ideológicos.

