1 de dez. de 2007

ADENDO 2 (3) - MKT de Pessoas X "MKT Pessoal" // R. Reagan




     No teatro da vida, início da década de 1980, uma nova peça chamada Porvir, com recheio de paradoxos, contradições e armadilhas, está para começar, com novos atores divergentes. Na realidade, o roteiro do derradeiro embate que ainda está buscando determinar quem será o dono do século 21.

     Ronald Wilson Rea­gan nasceu em 6 de fe­vereiro de 1911, em Tampico, Illinois (EUA), em cima da lo­ja onde seu pai irlan­dês-americano vendia sapatos. Durante a de­pressão americana, em 1932 graduou-se no Co­légio Eureka, uma insti­tuição protestante conservadora, onde ele foi bastante atuante em es­portes e teatro. Ambi­cionando fazer carreira em Hollywood, o Reagan traba­lhou em emissora de rádio como locutor esportivo até que um teste em cine­ma o levou ao primeiro con­trato com a Warner Brothers em 1937.

     Após realizar o seu famoso discurso A Time for Choosing, em apoio à candidatura de Barry Goldwater à presidência dos Estados Unidos em 1964, Reagan torna-se um fenômeno no Partido Republicano, ganhando forte apoio entre os eleitores do partido e sendo persuadido a candidatar-se para Governador da Califórnia, cargo para o qual será eleito dois anos depois, em 1966, e reeleito em 1970.

     Em 1968 e 1976, Reagan participa das primárias republicanas para escolha do candidato do partido à presidência, sendo derrotado em ambas as oportunidades. Todavia, em 1980 Reagan tem o apoio da corrente mais conservadora do Partido Republicano, que, com ideais liberais extremados, está envolvida na implementação da tese do desenlaçamento econômico dos Estados nacionais na Economia. Reagan é enfim escolhido como candidato republicano à corrida presidencial, e, logo após, elege-se presidente dos Estados Unidos, tornando-se o mais idoso a ser eleito para o cargo (69 anos e 349 dias).

     O republicano Roger Stone é o principal estrategista do Marketing Pessoalde Reagan nas eleições presidenciais de 1976 (quando Reagan não consegue a indicação Republicana), em 1980 (quando é eleito) e em 1984 (quando é reeleito).

     A vitória eleitoral de Reagan em 1980 para a presidência dos Estados Unidos é resultante de uma bem traçada plataforma eleitoral conservadora, absolutamente dentro do estilo Republica­no. Sua campanha con­centra esforços contra os aspectos da política externa do presidente Jimmy Carter (1977­-1980), explorando todos os pontos do governo Democrata que particularmente desagradam os conservado­res: os tratados de devo­lução da zona do Canal do Panamá, os tratados de limitação de armas estratégicas com a URSS e a aplicação de consi­derações sobre direitos humanos na diplomacia americana.

     Durante o governo do democrata Jimmy Carter (1977­-1980), os EUA vivenciam um aumento da inflação e do desemprego, enquanto ainda abalados pe­lo fracasso no Vietnã e experimentando novos fiascos na política externa, a começar pela queda de aliados como o Xá do Irã e o ditador nica­ragüense Anastasio So­moza, ambos em 1979.

     Justamente em 1979/80, o dólar verde está na sua maior baixa, envolvendo todas as Nações, e a inflação americana na sua maior alta, 12%. Para finan­ciar seu déficit, Tio Sam teve de atrair capitais do mundo todo, oferecendo taxas estratosféricas, às vezes superiores a 20%.

     Portanto, Reagan só precisou en­fatizar a necessidade de uma forte defesa nacional e de uma posição bem mais firme diante da URSS. No lado doméstico, Reagan prome­te reduzir o tamanho e o custo do governo, exceto para a Defesa, e re­frear a inflação. Venceu, com relativa facilidade. 

A Venda de algo “não-demandado

      Os indivíduos que possuem naturalmente as habilidades, a apa­rência, o comportamento e o discurso político que os múltiplos segmentos dos públicos-alvo valorizam para ca­da determinada missão, são muito raros. Portanto, é preciso que o status de celebridade, em qualquer área ou atividade, especialmente na Política, seja ativamente desenvolvido através de um complexo Marketing Pessoal.

     Em todo o mundo, os políticos profissionais logo aprendem que é possível fazer um marketing similar ao utilizado por produtos e serviços "não-demanda­dos", tudo com a finalidade de asse­gurar que suas imagens estejam mais "vendáveis" por ocasião de se obter votos, programas de apoio e ajudas financeiras.

     Em época de campanha eleitoral, o fundamental é estampar um sorriso mendigan­do votos para sua eleição ou reeleição. Geralmente, no dia-a-dia da campanha, o político sequer se apercebe dos acontecimentos nacionais e de suas reações mundiais, a não ser quando estes tomam feições de catástrofes. Falta clareza de visão e antevidência. É certo que a previsão há muito tempo deixou de ser a quali­dade fundamental do homem de Es­tado.

     No século 21, diante de um Cida­dão de tríplice personalidade (Produtor, Consumidor e Contribuinte-Eleitor) em Quinta Onda de Evolução, quase em 6ª Onda (estimada para 2012), talvez haja cam­po para o emprego de conceitos mais avançados e verdadeiros de Marke­ting de Pessoas; todavia, por enquanto, predomina o Marketing Pessoal e o políti­co continua sendo vendido como simples bilhete de raspadinha lotérica, jazigo de cemitério ou qualquer outro produto "não-demandado". Trata-se de um esforço descomunal, talvez racional diante da realidade eleitoral, mas absolu­tamente ilógico. Mas é verdadeiramente certo que ainda é o enganoso Marketing Pessoal que funciona na política pelo mundo inteiro.

     Os partidos políticos investem mui­to dinheiro para Vender seu candi­dato aos eleitores como sendo a pes­soa adequada para o cargo. O candi­dato trabalha nas zonas eleitorais conforme o escopo da projeção criada pelo seu Marketing Pessoal – mãos apertadas, bebês erguidos e beijados, e pro­messas vãs jogadas pelos ares. As falhas ou deficiências do candidato são ocultadas do público porque o objetivo é conseguir a Venda.

     Na implementação do Marketing Pessoal, nin­guém está preocupado com a satisfação posterior do eleitor. E, sendo realmente assim, a estrutura política profissional segue a opinião pública, olho pregado nas pesqui­sas de popularidade, pouco se im­portando com quem verdadeiramente faz a opinião deste público.

     Os valores vivem conturbados porque os meios e veículos da Imprensa embaralham informação e opinião, ideologia e cultura, ficção nos apelos da propaganda e realidade, aumentando a confusão de gêneros. Ora a Imprensa é um poder não eleito, ora um contra poder. As Mídias nos enganam porque se en­ganam, o que nos leva a viver dançando para fazer chover. E existem ainda os políticos radicais, e friamente pragmáticos, que só pensam em calar os jornalistas. Desconchavo doentio!

     Uma ênfase redobrada nos temas mais vendáveis, passo a passo com um cuidadoso planejamento de ações, transmissões de mensagens e aparições na Mídia, ajuda a controlar o que está sendo relatado pela im­prensa. Manter um estilo de vida bem atuante e envolvente, com relacionamentos estreitos com os jornalistas certos, é básico para quem se aventura no Marketing Pessoal, para que seja possível desmontar com facilidade e rapidez as críticas e os argumentos da oposição.

     Nas duas vezes em que foi eleito para a pre­sidência dos Estados Unidos, Ronald Reagan fez uso extremamente cauteloso do mar­keting regional, adaptando falas precisas às necessidades específicas da audiência de cada localidade do seu país.

   Durante os dois man­datos de Rea­gan, sua Administração fez ex­tenso uso da pesquisa de mercado, apurando o que era quente e o que não era. Todas as plataformas de governo e todos os discur­sos ou pronunciamentos de grande repercussão nacional ou regional, foram incansavelmente pré-testados em grupos de discussão. A tematização foi instrumen­to estratégico de mar­keting muito empregado pela Administra­ção Reagan, que, depois de identificar e concentrar vários benefícios-chave em alguns poucos temas altamente segmentados, passava então a repe­ti-los incessantemente. 

Criando celebridades

      O objetivo do Marketing Pessoal é utilizar todos os meios possíveis que viabilizem a criação da Imagem de uma celebridade – uma pessoa conhecida, cujo nome irá gerar atenção, interesse, desejo e ação, facilitando a implementação tanto de empreendimentos políticos, empresariais, financeiros, sociais, ambientais, artísticos ou esportivos, quanto de idéias novas ou conservadoras. Através de um conjunto de atividades, busca-se criar, manter ou alterar atitudes e comportamentos existentes com determinadas pessoas.

     Os profissio­nais de Marketing Pessoal iniciam seu trabalho pela cuidadosa pesquisa e análise do mercado, buscando descobrir as necessidades dos Cidadãos e segmentar o mercado. Depois, quando já estão de posse dessas informações, dá-se início à etapa de desenvolvimento do produto: 1) o estudo das atuais qualidades e da imagem da Pessoa; 2) o plano estratégico de transfor­mação, nos mínimos detalhes, para que a Pessoa se adapte per­feitamente às necessi­dades e expectativas do mercado. Finalmente, são desenvolvidos os programas que irão apresentar, promover e valorizar a nova cele­bridade vendável.

     Um exército de especialistas – es­trategistas de marketing, publicitários, relações-públicas, pesquisadores de mercado, cientistas políticos, redatores de discursos, planejadores de mídia, assessores de imprensa, consultores de moda, e até cabeleireiros e maquiadores – trabalha incansavelmente para defi­nir os segmentos políticos do merca­do, identificar as questões-chave da campanha e posicionar fortemente o político e seu programa, inclusive depois que ele já tenha sido eleito e empossado. O carreirismo é um fato! 
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                                 A legenda de Reagan

     Os anos de 1980 ficaram conhecidos como a Era Rea­gan, verdadeira marca da década da prosperidade – ou, da orgia do capitalismo, segundo seus opositores.

     A Administração do ex-presidente Ronald Rea­gan foi única no uso do Marketing Pessoal para vender o Presidente e sua política para o po­vo americano, com os necessários desdobramentos no cenário mundial. Toda medida tomada por Reagan foi cuidadosamente geren­ciada para sustentar o posicionamento de sua Administração e sua estratégia de marketing.

     "Manter a cabeça erguida!" foi realmente a frase favorita, um verdadeiro achado do Presi­dente Reagan. Negar a existên­cia de problemas foi uma boa política para ganhar duas eleições. Na realidade, dois presi­dentes foram eleitos três vezes mediante uma plataforma que proclamou não haver problemas com o sistema americano.

     O grande problema então colocado para a Administração Reagan é que, depois que o seu marketing potencializou o conceito de “manter a cabeça erguida”, ficou muito difícil fazer que o povo americano admitisse a existência de qualquer problema nos EUA. A grande questão foi que, por lógica ou mecanismo de defesa inconsciente diante de tal inexistência, nada então era preciso mudar.

     Ao criar um eficiente escudo para se proteger dos ataques desferidos pelas oposições na Mídia, o marketing do republicano Reagan acabou redefinindo a palavra otimismo: desde então, segundo o novo dicionário político, otimista passou a ser alguém que nega que os EUA tenham problemas. Assim, mesmo depois dos dois mandatos de Reagan, admitir que os EUA têm quaisquer problemas ou fraquezas fundamentais é coisa de pessimista e, portanto, de alguém incapacitado para o exercício de um mandato político.

     Fundamentalmente, o Marketing Pessoal de Reagan ensinou aos políticos – republicanos e democratas – uma verdade da vida política americana: os otimistas sempre ganham dos pessimistas. Além disto, desde essa primeira eleição de Reagan, o que assegura vitória na corrida eleitoral para a Presidência dos EUA são os sistemas e os meios financeiros. Desde então é preciso que se esteja disposto a gastar uma quantia substancial de dinheiro, que, independente da credibilidade pessoal do candidato, sem dúvida será o fator fundamental de vitória.

     Uma estrutura profissional de campan­ha política tem seu preço, e é essencial pagar por ela. A começar pela organização do calendário eleitoral, as próprias primárias dos Partidos tornam-se cada vez mais caras nos EUA.

Nova política econômica no “pós-Venda

     A Era Reagan foi uma etapa ultraliberal nos EUA, servindo de contraponto decisivo ao império do mal soviético. Não há quem não se recorde do brilhante e carismático tempera­mento de Reagan durante aqueles oito anos de poder.

     Desde a Quarta Onda de Evolução (1960), enquanto já envolvidos pela Quinta Onda iniciada 1980, justamente o ano das eleições vencidas por Reagan nos EUA, todos os poderes políticos, econômicos, militares e religiosos do mundo estavam sendo levados de roldão. O planeta Terra estava bem complicado e perigoso.

     Pelo mundo inteiro germinavam novos motivos para que os homens se odiassem, se matassem, obrigando que mãos constrangidas fossem apertadas. O estatismo, enfim, desde o ano de todas as farsas (1975), apresentava sinais inequívocos de estado falimentar, enquanto conspirava-se subliminarmente para assassinar o dólar verde.

     Para que a fase de pós-Venda do político Ronald Reagan recém eleito e empossado seja viável, é preciso então criar uma força diferenciada de Marketing Pessoal, ainda mais persuasiva, permitindo a implantação de uma nova política econômica, baseada em conceitos liberais extremados: Estado míni­mo, desregulamentação do trabalho, privatizações, funcionamento do mercado sem interferência estatal, cortes nos benefícios sociais.

     O cenário global vai se transformar num conjunto complexo de confrontos envolvendo liberalizações versus barricadas ou barreiras. A mudança radical entra a ordem do dia, em todas as nações da Terra. E haja mudança!

     Mas será preciso contornar o grande problema criado pelo Marketing Pessoal de Reagan, porque as eleições presidenciais americanas se converteram em competições para ver quem nega com mais veemência e sucesso que os EUA tenham qualquer tipo de problema. Depois de ter sido eleito com uma plataforma que nega a inexistência de problemas, fica muito complicado apresentar soluções para problemas que não existem.

     Em 30 de março de 1981, Ronald Reagan, artista experiente e estrela principal da nova peça, assume a Casa Branca, marcando decisivamente o levantar da cortina e o emergir de um novo sistema de pensamento, de uma lógica diferente: é preciso implementar um programa de Marketing capaz de vender e dar forma palatável à teoria do desenlaçamento dos Estados na Economia.

     Com o republicano Reagan na Presidência dos EUA, um novo grupo de poder se evidenciou no cenário mundial, enquanto sua Adminis­tração usava e abusava do maior esquema de Marketing Pessoal já desenvolvido no campo político: durante oito anos, em dois mandatos consecutivos, Reagan consegue reger o hino da sua década de pros­peridade, mesmo diante de um mundo em de­sembalada erupção e de um Congresso ameri­cano então dominado pelos democratas.

     O presidente Reagan implementa uma série de ousadas iniciativas econômicas e novas políticas. Sua política de recuperação econômica através do estímulo à oferta (supply-side economics), popularmente conhecida como Reaganomics, e que incluiu medidas de desregulamentação e cortes de impostos, é implementada já no seu primeiro ano de mandato em 1981.

     Propaga-se que não existem problemas nos EUA; entretanto, na realidade, 1981 é o último ano de superávit comercial dos EUA. O governo Reagan tenta manter o seu país mais uma vez como a locomotiva macroeconômica. Todavia, o que no passado pós 2ª Grande Guerra era tido e descrito no sistema keynesianismo global como déficit de comércio cíclico e, portanto, temporário porque sob controle, logo está transformado em déficit de comércio estrutural permanente. E este déficit será cada vez mais explosivo, jamais parando de crescer. Desde 1982, os EUA passam a conviver com uma dívida que é a mais espetacular da história.

     Apesar da necessária formatação de uma 2ª fase global pós 2ª Guerra Mundial, a lógica nos EUA ainda re­flete o entrechoque dos ditames da boa econo­mia e da política. Sem poder enfrentar a realidade, Reagan, de início, patina na questão elementar: se os EUA não têm problemas, como foi propagado na Campanha Eleitoral, como fazer que a reestruturação econômica (desenlaçamento econômico do Estado) seja considerada algo primordial e implementada?

     A saída do presidente Reagan foi desnudar o Estado norte-americano tendo por base a pátria mãe, enquanto fazendo dupla com a Senhora Margareth Hilda Thatcher, líder do Partido Conservador britânico e primeira-ministra desde 1979.

     No Reino Unido, Thatcher, após derrotar os trabalhistas nas urnas, já havia inaugurado um governo de profundas reformas econômicas, buscando enfrentar a decadência britânica por meio da privatização de empresas estatais e da redução drástica do déficit público. 

Os Argumentos sempre nada confiáveis da CIA

     Vale recordar as projeções confidenciais de tendências econômicas da CIA que inexplicavelmente chegavam à imprensa com grande alarde, sempre desinformando, dentre outros absurdos, que o produto nacional bruto da URSS ultrapassaria o PNB dos EUA em 1984.

     Não por obra do acaso, no outono de Tio Sam em 1984, Reagan coloca no ar a seguinte mensagem pela televisão: “Há um urso escondido na floresta. Para algumas pessoas, é fácil avistar o urso. Outras entretanto, não conseguem vê-lo. Há quem diga que ele é feroz e perigoso. Como não se sabe ao certo quem está com a razão, não seria prudente nos tornarmos tão fortes quanto o urso – se é que ele existe?”

     Então, diante dos relatórios confidenciais da CIA que se multiplicam, intensificando os alertas sobre a reaparição do “Urso da Floresta” (URSS), o presidente Reagan não se faz de rogado e dobra o orçamento militar dos EUA até 1985. Depois, para incrementar o Marketing Pessoal com seus discursos sobre Segurança, Reagan assume a defesa de um vasto programa de tecnologia avançada para conter e controlar o “Império do mal” (soviético), nos moldes do filme Guerra nas Estrelas.

     Naquele ano de 1985, Ronald Reagan, reeleito para seu segundo mandato, prediz: “Vocês ainda não viram nada”. Logo em fevereiro já podíamos acreditar na profecia. O dólar é o rei verde, novamente; e volta a ditar sua lei.

     Mesmo depois de se submeter, em julho de 1985, a uma cirurgia para tratar um câncer no colo, o presidente Ronald Reagan manteve o seu primeiro encontro com o líder soviético (1985-1991) Mikhail Serguéievich Gorbachev ou Gorbatchev (1931-), em Genebra. Naquele mês de novembro, os dois já estavam conscientes dos riscos de tentar ser bombeiro e também piromaníaco, em escala mundial. Os custos para apagar os incêndios que seus países provocavam na Europa, na Ásia, na África e na América Latina – e, por extensão, no próprio país do outro – não eram mais facilmente suportáveis.

     O tempo dos Nikitas (Khruschev) tinha que ser encerrado. Afinal, o preço para bater com o sapato na mesa da Assembléia das Nações Unidas, e ameaçar enterrar as democracias, fazendo parecer que tudo já estava acontecendo, ficou extremamente alto.

À histeria "GorbShow"

     Impulsionados pela força do marketing da Administração Reagan, os norte-americanos – e os habitantes das adjacên­cias e das Nações Amigas – logo passaram da histeria anticomu­nista à histeria do "GorbShow". Foi um show des­lumbrante, real­mente, começando pela dança dos câm­bios.

     Reagan e Gorbachev também sabiam que o mundo não poderia continuar sob os antigos equilíbrios concebidos em Bretton Woods (de 1° a 22 de julho de 1944, que dividiu o mundo econômico) e Yalta (de 4 a 7 de setembro de 1945, quando Franklin Delano Roosevelt(1881-1945), 32º presidente dos Estados Unidos, e Josef Vissarionovitch Stalin (1878-1953), líder soberano da então União Soviética, fizeram a terceira partilha mundial). Era essencial, portanto, gerar um novo plano mundial, obviamente que tudo sendo acertado para fases sucessivas, mantidas bem camufladas.

     No curto prazo era preciso que o mundo recuperasse a esperança e se esquecesse dos desastres da Challenger (traumatização pela tragédia dos sete tripulantes, transmitida via satélite) e de Chernobil (cidades fantasmas e quase 130 mil mortos, vítimas do bombardeio de substâncias nucleares).

     Naquele novembro de 1985, a saída foi apertar as mãos, efusivamente. Reagan e Gorbachev riram um riso contrafeito, mas entenderam-se. As mudanças radicais para conserto do mundo precisavam ser implementadas. Assim, o diálogo interrompido há anos, recobra as forças. Desde então, os encontros dos dois seriam freqüentes.

     Querendo ou não, gostando ou não, e de longe, todos nós víamos o que parecia ser o nascimento de uma Quarta Partilha Mundial, sucessora do Império Romano, Tordesilhas e Yalta. Afinal, em 1985, o mundo já não era mais tão bipolar como os EUA e a URSS ainda propagavam, pois já havia uma forte exigência para uma redistribuição por quatro. O Japão, desde 1981, se apresentava como o primeiro credor líquido do mundo; e a formação da atual União Européia quase uma realidade.

     É lógico que não se sabe os detalhes do que Reagan e Gorbachev decidiram; todavia, ao reler os eventos mundiais, buscando entender as entrelinhas do que veio sendo tornado público, não resta qualquer dúvida: eles tomaram decisões extremadas e de suma importância.

     Em tabelinha com Gorbachev, Reagan fez a Guerra Fria conge­lar de vez. Milhares de soldados foram retira­dos das zonas tradicionalmente "sob prote­ção". Os EUA diminuíram drasticamente sua presença na Europa e na Ásia, enquanto a URSS abandonava seus países satélites na Ásia e na África. O exército ver­melho retirou-se do Leste.

Escândalo "Irã-Contras"

     Em 1986, quando o "GorbShow" dava ainda o tom de felicidade do Marketing Pessoalde Reagan, escondendo os detalhes do incidente doméstico da reforma tributária e os verdadeiros problemas que se agravavam na Economia dos EUA, o escândalo "Irã-Contras" estoura na imprensa internacional, envolvendo assessores diretos do presidente.

     Os ataques de que a Presidência dos EUA teria vendido secreta e ilegalmente armas ao Irã, e usado os lucros (repassado o dinheiro) para ajudar a rebelião dos "Contras" (guerrilheiros anti-sandinistas da Nicarágua), envolvem Reagan no pior escândalo político desde Watergate.

     Em 20 de outubro de 1987, um tornado abate-se sobre Wall Street, e a Bolsa perde US$ 500 bilhões, 22,6% de sua capitalização, num único dia. O último desse tipo havia sido em 1929. Coisa pequena! Seria uma advertência?

     No ano seguinte, em dezembro, Reagan e Gorbachev se encontraram de novo em Washington, e assinam o primeiro acordo para a destruição de armas nucleares de médio alcance. Em maio de 1988, em Moscou, os dois assinam documentos ratificando um tratado sobre mísseis de curto e intermediário alcance.

     Na reta derradeira das novas eleições presidenciais dos EUA em 1988, o Marketing Pessoalde Reagan, enfim, consegue triunfar: coloca o Congresso dos EUA com maioria republicana e seu sucessor, o também republicano George Herbert Walker Bush (1924-) é eleito 41º Presidente dos EUA (1989-1993), prometendo dar continuidade à política de reaproximação com a URSS.

     Ao ser libertado do seqüestro (Golpe de 19 de agosto de 1991), Gorbachev em pouco tempo descobre que tinha sido ultrapassado pelo desenrolar dos eventos, enquanto o Marketing Pessoalde George H. W. Bush logo se confirma absolutamente ineficiente.

     Em pouquíssimo tempo, os ventos da democracia e do capitalismo chegam aos países comunistas da Europa Central. O Pacto de Varsóvia é denunciado e a URSS logo se fez em pedaços, dissolvendo-se em 1991.

Avaliando o grotesco contra-senso

      Ronald Reagan assume a Presi­dência dos Estados Unidos, em 1981, tendo pela frente o dólar na sua maior baixa, a inflação americana na sua maior alta (12%) e a grande iro­nia monetária da história mundial – ­tanto os devedores quanto os que emprestavam dependiam cada vez mais dos bancos mundialistas; en­tretanto, ao sair da Casa Branca, Reagan deixa o seu país diante do maior e mais grotesco contra-senso: enquanto até a Europa Oriental cor­re para privatizar, os EUA só fazem estatizar.

     Desde 1982, nos registros estatísticos do valor das transações efetuadas pelos EUA com o exterior, abrangendo balança comercial, balança de serviços e movimentos de capital, o país só tem feito acumular déficit, mês a mês, enquanto batendo recordes anuais no seu extraordinário endividamento: na dívida externa, contraída com credores estrangeiros, e na dívida interna, contraída dentro do país. Sem alternativa, a Administração Reagan só fez tornar a Economia de Tio Sam cada vez mais estatizada, pois sendo obrigada a subsidiar diversos setores em crise. E tudo ficou muito mais complicado depois que a crise-recessão atingiu grande parte da rede bancária dos EUA, no começo de 1991 (governo Bush). Em cheio!

     Se o Estado pesa sobre a renda, pesa também sobre a economia, e, assim, inviabili­za os sistemas que devem estar fomentar a produção, o consumo e a evolução da sociedade. Esta foi a lição que o mundo inteiro, desde 1975, teve que aprender aos trancos e solavancos. Mas, pelo jeito, os EUA foram uma das grotescas exceções.

"Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço."
Um triste moral!

     Na dura constatação, o sistema monetário-financeiro só fez acelerar sua expansão durante os dois man­datos de Reagan, cuja política eco­nômica privilegiou os juros altos, as isenções de impostos nas operações financeiras e os cortes nos progra­mas assistenciais. Tudo isto encare­ceu a produção e agravou ainda mais o declínio competitivo americano, independentemente da bem orques­trada dança dos câmbios que tran­quilizou a fantástica massa de dó­lares (80% da emissão total, dita "sob controle") em circulação no mercado mundial.

     E para completar todo esse despropósito grave, é bom lembrar que os EUA consumiram mais de 12% do orçamento nacional em gastos mili­tares (US$ 400 bilhões anuais) no governo Reagan. O país mais endividado ti­nha que ser o Xerife do mundo, e continuar servindo de refe­rência para o nível monetário mun­dial. Grotesco despautério!

     Na terra de Ronald Reagan, a teoria do desenlaçamento dos Estados da Economia foi uma boa idéia que permaneceu tão-somente nos discursos elaborados pelos marketeiros de Reagan (1981 a 1989) e Bush (1989-1993).

     E o democrata William Bill Jefferson Clinton (1946-), nascido William Jefferson Blythe III e mais conhecido como Bill Clinton, que foi o 42º presidente dos Estados Unidos, por dois mandatos, entre 1993 e 2001, é óbvio, também nada mudou.

     Em 1992, o democrata Bill Clinton dá final aos 12 anos de sucessivos governos republicanos na Casa Branca. O governo Clinton obtém êxito na recuperação acelerada da Economia dos EUA, e consegue aprovar um pacote que, ao contrário de Reagan, aumenta impostos. Logo depois, também no Congresso, Clinton aprova o Acordo de Livre Comércio com o Canadá e o México (Nafta) e a conclusão da Rodada Uruguai do GATT, com a promessa de permitir maior liberalização do comércio mundial. 

Jogo cíclico
     
     No Brasil, já se apelou para caça­dores de marajás ou tão-somente re­sumiu-se o plano de governo nu­ma solução simplista com os cinco dedos da mão. Para o político profissional, a finalidade única da políti­ca é ganhar eleição (ou a reeleição). Todas as energias dos ditos homens de Es­tado são canalizadas para isso: exer­cer o poder pelo hábito do poder.

     O mais tenebroso é o que acontece quando, como primeiro passo estratégico de um novo governo qualquer, se limpa o terreno que antecessores tiveram o trabalho de minar, e, de­pois, ao final do mandato, empenha-se em ajeitá-lo para o sucessor. Quando acontece que é esse mesmo político que ganha a reeleição, sendo portanto o seu sucessor, o jogo cíclico torna-se então absolutamente ridículo.

     Essa é uma síntese do cenário político global quando ritmado pelo enganoso “Marketing Pessoal”, através do qual surgem novas excelências. Mas, é bom refletir! Não custa optar pelo Marketing de Pessoas, uma vez que se tratando de uma Pessoa verdadeiramente por excelência.

     É importante considerar que existe uma infinidade de livros de Biografias, que contam a história da vida de grandes personagens que, por intuição ou planejamento por conta de tecnologias de marketing, desenvolveram excelentes projetos de Marketing de Pessoas. Muitos deles já estão imortalizados, mas suas Imagens e Marcas (Nomes) sobrevivem aos séculos, às décadas, e nos chegam aos dias atuais.

     É certo, entretanto, que mesmo os mais eficientes esforços no “Marketing Pessoal”, não prevalecem por mais de 10 anos.  

     Relembrar os principais acontecimentos formadores das perigosas décadas de 70 e 80, com seus desdobramentos até os dias atuais, é preciso para que se possa compreender em toda a sua plenitude o fenômeno Ronald Reagan no Marketing Pessoal. Não deixe de conhecer o conteúdo sob o título "1975".