No teatro da vida, início da década de
1980, uma nova peça chamada Porvir, com recheio de paradoxos,
contradições e armadilhas, está para começar, com novos atores divergentes. Na
realidade, o roteiro do derradeiro embate que ainda está buscando determinar
quem será o dono do século 21.
Ronald Wilson Reagan
nasceu em 6 de fevereiro de 1911, em Tampico, Illinois (EUA), em cima da loja
onde seu pai irlandês-americano vendia sapatos. Durante a depressão
americana, em 1932 graduou-se no Colégio Eureka, uma instituição
protestante conservadora, onde ele foi bastante atuante em esportes e teatro.
Ambicionando fazer carreira em Hollywood, o Reagan trabalhou
em emissora de rádio como locutor esportivo até que um teste em cinema o levou
ao primeiro contrato com a Warner Brothers em 1937.
Após realizar o seu famoso discurso A
Time for Choosing, em apoio à candidatura de Barry Goldwater à presidência
dos Estados Unidos em 1964, Reagan torna-se um fenômeno no
Partido Republicano, ganhando forte apoio entre os eleitores do partido e sendo
persuadido a candidatar-se para Governador da Califórnia, cargo para o qual
será eleito dois anos depois, em 1966, e reeleito em 1970.
Em 1968 e 1976, Reagan
participa das primárias republicanas para escolha do candidato do partido à
presidência, sendo derrotado em ambas as oportunidades. Todavia, em 1980 Reagan
tem o apoio da corrente mais conservadora do Partido Republicano, que, com
ideais liberais extremados, está envolvida na implementação da tese do
desenlaçamento econômico dos Estados nacionais na Economia. Reagan
é enfim escolhido como candidato republicano à corrida presidencial, e, logo
após, elege-se presidente dos Estados Unidos, tornando-se o mais idoso a ser
eleito para o cargo (69 anos e 349 dias).
O republicano Roger Stone é o principal
estrategista do “Marketing Pessoal” de
Reagan nas eleições presidenciais de 1976 (quando Reagan
não consegue a indicação Republicana), em 1980 (quando é eleito) e em 1984
(quando é reeleito).
A vitória eleitoral de Reagan
em 1980 para a presidência dos Estados Unidos é resultante de uma bem traçada
plataforma eleitoral conservadora, absolutamente dentro do estilo Republicano.
Sua campanha concentra esforços contra os aspectos da política externa do
presidente Jimmy Carter (1977-1980), explorando todos os pontos do governo
Democrata que particularmente desagradam os conservadores: os tratados de devolução
da zona do Canal do Panamá, os tratados de limitação de armas estratégicas com
a URSS e a aplicação de considerações sobre direitos humanos na diplomacia
americana.
Durante o governo do democrata Jimmy
Carter (1977-1980), os EUA vivenciam um aumento da inflação e do desemprego,
enquanto ainda abalados pelo fracasso no Vietnã e experimentando novos fiascos
na política externa, a começar pela queda de aliados como o Xá do Irã e o
ditador nicaragüense Anastasio Somoza, ambos em 1979.
Justamente em 1979/80, o dólar verde está
na sua maior baixa, envolvendo todas as Nações, e a inflação americana na sua
maior alta, 12%. Para financiar seu déficit, Tio Sam teve de atrair capitais
do mundo todo, oferecendo taxas estratosféricas, às vezes superiores a 20%.
Portanto, Reagan só
precisou enfatizar a necessidade de uma forte defesa nacional e de uma posição
bem mais firme diante da URSS. No lado doméstico, Reagan promete
reduzir o tamanho e o custo do governo, exceto para a Defesa, e refrear a
inflação. Venceu, com relativa facilidade.
A Venda de algo “não-demandado”
Os indivíduos que possuem naturalmente as
habilidades, a aparência, o comportamento e o discurso político que os
múltiplos segmentos dos públicos-alvo valorizam para cada determinada missão,
são muito raros. Portanto, é preciso que o status de celebridade, em
qualquer área ou atividade, especialmente na Política, seja ativamente
desenvolvido através de um complexo “Marketing Pessoal”.
Em todo o mundo, os políticos
profissionais logo aprendem que é possível fazer um marketing similar ao
utilizado por produtos e serviços "não-demandados", tudo
com a finalidade de assegurar que suas imagens estejam mais "vendáveis"
por ocasião de se obter votos, programas de apoio e ajudas financeiras.
Em época de campanha eleitoral, o fundamental
é estampar um sorriso mendigando votos para sua eleição ou reeleição.
Geralmente, no dia-a-dia da campanha, o político sequer se apercebe dos
acontecimentos nacionais e de suas reações mundiais, a não ser quando estes
tomam feições de catástrofes. Falta clareza de visão e antevidência. É certo
que a previsão há muito tempo deixou de ser a qualidade fundamental do homem
de Estado.
No século 21, diante de um Cidadão de
tríplice personalidade (Produtor, Consumidor e Contribuinte-Eleitor) em Quinta
Onda de Evolução, quase em 6ª Onda (estimada para 2012), talvez haja campo
para o emprego de conceitos mais avançados e verdadeiros de Marketing
de Pessoas; todavia, por enquanto, predomina o “Marketing
Pessoal” e o político continua sendo vendido como
simples bilhete de raspadinha lotérica, jazigo de cemitério ou
qualquer outro produto "não-demandado". Trata-se de um
esforço descomunal, talvez racional diante da realidade eleitoral, mas absolutamente
ilógico. Mas é verdadeiramente certo que ainda é o enganoso “Marketing
Pessoal” que funciona na política pelo mundo inteiro.
Os partidos políticos investem muito
dinheiro para Vender seu candidato aos eleitores como sendo a
pessoa adequada para o cargo. O candidato trabalha nas zonas eleitorais
conforme o escopo da projeção criada pelo seu “Marketing
Pessoal” – mãos apertadas, bebês erguidos e beijados, e
promessas vãs jogadas pelos ares. As falhas ou deficiências do candidato são
ocultadas do público porque o objetivo é conseguir a Venda.
Na
implementação do “Marketing Pessoal”,
ninguém está preocupado com a satisfação posterior do eleitor. E, sendo
realmente assim, a estrutura política profissional segue a opinião pública,
olho pregado nas pesquisas de popularidade, pouco se importando com quem
verdadeiramente faz a opinião deste público.
Os valores vivem conturbados porque os
meios e veículos da Imprensa embaralham informação e opinião, ideologia e
cultura, ficção nos apelos da propaganda e realidade, aumentando a confusão de gêneros.
Ora a Imprensa é um poder não eleito, ora um contra poder. As Mídias nos
enganam porque se enganam, o que nos leva a viver dançando para fazer chover.
E existem ainda os políticos radicais, e friamente pragmáticos, que só pensam
em calar os jornalistas. Desconchavo doentio!
Uma ênfase redobrada nos temas mais vendáveis,
passo a passo com um cuidadoso planejamento de ações, transmissões de mensagens
e aparições na Mídia, ajuda a controlar o que está sendo relatado pela imprensa.
Manter um estilo de vida bem atuante e envolvente, com relacionamentos
estreitos com os jornalistas certos, é básico para quem se aventura no “Marketing
Pessoal”, para que seja possível desmontar com facilidade
e rapidez as críticas e os argumentos da oposição.
Nas duas vezes em que foi eleito para a
presidência dos Estados Unidos, Ronald Reagan fez uso
extremamente cauteloso do marketing regional, adaptando falas
precisas às necessidades específicas da audiência de cada localidade do seu
país.
Durante os dois mandatos de Reagan, sua Administração fez extenso
uso da pesquisa de mercado, apurando o que era quente e o que não era.
Todas as plataformas de governo e todos os discursos ou pronunciamentos de
grande repercussão nacional ou regional, foram incansavelmente pré-testados em
grupos de discussão. A tematização foi instrumento estratégico de marketing
muito empregado pela Administração Reagan, que, depois de
identificar e concentrar vários benefícios-chave em alguns poucos
temas altamente segmentados, passava então a repeti-los incessantemente.
Criando celebridades
O objetivo do “Marketing
Pessoal” é utilizar todos os meios possíveis que
viabilizem a criação da Imagem de uma celebridade – uma
pessoa conhecida, cujo nome irá gerar atenção, interesse, desejo e ação,
facilitando a implementação tanto de empreendimentos políticos, empresariais,
financeiros, sociais, ambientais, artísticos ou esportivos, quanto de idéias
novas ou conservadoras. Através de um conjunto de atividades, busca-se criar,
manter ou alterar atitudes e comportamentos existentes com determinadas
pessoas.
Os profissionais de “Marketing
Pessoal” iniciam seu trabalho pela cuidadosa pesquisa e
análise do mercado, buscando descobrir as necessidades dos Cidadãos e segmentar
o mercado. Depois, quando já estão de posse dessas informações, dá-se início à
etapa de desenvolvimento do produto: 1) o estudo das atuais qualidades
e da imagem da Pessoa; 2) o plano estratégico de transformação, nos mínimos
detalhes, para que a Pessoa se adapte perfeitamente às necessidades e
expectativas do mercado. Finalmente, são desenvolvidos os programas que irão
apresentar, promover e valorizar a nova celebridade vendável.
Um exército de especialistas – estrategistas
de marketing, publicitários, relações-públicas, pesquisadores de mercado,
cientistas políticos, redatores de discursos, planejadores de mídia, assessores
de imprensa, consultores de moda, e até cabeleireiros e maquiadores – trabalha
incansavelmente para definir os segmentos políticos do mercado, identificar
as questões-chave da campanha e posicionar fortemente o político e seu
programa, inclusive depois que ele já tenha sido eleito e empossado. O
carreirismo é um fato!
.
A legenda de Reagan
Os anos de 1980 ficaram conhecidos como a
Era Reagan, verdadeira marca da década da prosperidade – ou,
da orgia do capitalismo, segundo seus opositores.
A Administração do ex-presidente Ronald
Reagan foi única no uso do “Marketing Pessoal”
para vender o Presidente e sua política para o povo americano, com os
necessários desdobramentos no cenário mundial. Toda medida tomada por Reagan
foi cuidadosamente gerenciada para sustentar o posicionamento de sua
Administração e sua estratégia de marketing.
"Manter a cabeça erguida!"
foi realmente a frase favorita, um verdadeiro achado do Presidente Reagan.
Negar a existência de problemas foi uma boa política para ganhar duas
eleições. Na realidade, dois presidentes foram eleitos três vezes mediante uma
plataforma que proclamou não haver problemas com o sistema americano.
O grande problema então colocado para a
Administração Reagan é que, depois que o seu marketing
potencializou o conceito de “manter a cabeça erguida”, ficou muito
difícil fazer que o povo americano admitisse a existência de qualquer problema
nos EUA. A grande questão foi que, por lógica ou mecanismo de defesa
inconsciente diante de tal inexistência, nada então era preciso mudar.
Ao criar um eficiente escudo para se
proteger dos ataques desferidos pelas oposições na Mídia, o marketing
do republicano Reagan acabou redefinindo a palavra otimismo:
desde então, segundo o novo dicionário político, otimista passou a ser
alguém que nega que os EUA tenham problemas. Assim, mesmo depois dos dois
mandatos de Reagan, admitir que os EUA têm quaisquer problemas ou fraquezas
fundamentais é coisa de pessimista e, portanto, de alguém incapacitado para o
exercício de um mandato político.
Fundamentalmente, o “Marketing
Pessoal” de Reagan ensinou aos políticos
– republicanos e democratas – uma verdade da vida política americana: os
otimistas sempre ganham dos pessimistas. Além disto, desde essa primeira
eleição de Reagan, o que assegura vitória na corrida eleitoral
para a Presidência dos EUA são os sistemas e os meios financeiros. Desde então
é preciso que se esteja disposto a gastar uma quantia substancial de dinheiro,
que, independente da credibilidade pessoal do candidato, sem dúvida será o
fator fundamental de vitória.
Uma estrutura profissional de campanha política
tem seu preço, e é essencial pagar por ela. A começar pela organização do
calendário eleitoral, as próprias primárias dos Partidos tornam-se
cada vez mais caras nos EUA.
Nova política econômica no “pós-Venda”
A Era Reagan foi uma etapa ultraliberal
nos EUA, servindo de contraponto decisivo ao império do mal soviético.
Não há quem não se recorde do brilhante e carismático temperamento de Reagan
durante aqueles oito anos de poder.
Desde a Quarta Onda de Evolução (1960),
enquanto já envolvidos pela Quinta Onda iniciada 1980, justamente o ano das
eleições vencidas por Reagan nos EUA, todos os poderes políticos, econômicos,
militares e religiosos do mundo estavam sendo levados de roldão. O planeta
Terra estava bem complicado e perigoso.
Pelo mundo inteiro germinavam novos motivos para que os homens
se odiassem, se matassem, obrigando que mãos constrangidas fossem apertadas. O estatismo,
enfim, desde o ano de todas as farsas (1975), apresentava sinais inequívocos de
estado falimentar, enquanto conspirava-se subliminarmente para assassinar o
dólar verde.
Para que a fase de pós-Venda
do político Ronald Reagan recém eleito e empossado seja viável,
é preciso então criar uma força diferenciada de “Marketing
Pessoal”, ainda mais persuasiva, permitindo a implantação
de uma nova política econômica, baseada em conceitos liberais extremados:
Estado mínimo, desregulamentação do trabalho, privatizações,
funcionamento do mercado sem interferência estatal, cortes nos benefícios
sociais.
O cenário global vai se transformar num
conjunto complexo de confrontos envolvendo liberalizações versus barricadas ou
barreiras. A mudança radical entra a ordem do dia, em todas as nações da Terra.
E haja mudança!
Mas será preciso contornar o grande
problema criado pelo “Marketing Pessoal”
de Reagan, porque as eleições presidenciais americanas se converteram em
competições para ver quem nega com mais veemência e sucesso que os EUA tenham
qualquer tipo de problema. Depois de ter sido eleito com uma plataforma que
nega a inexistência de problemas, fica muito complicado apresentar
soluções para problemas que não existem.
Em 30 de março de 1981, Ronald Reagan,
artista experiente e estrela principal da nova peça, assume a Casa Branca,
marcando decisivamente o levantar da cortina e o emergir de um novo sistema de
pensamento, de uma lógica diferente: é preciso implementar um programa de Marketing
capaz de vender e dar forma palatável à teoria do desenlaçamento
dos Estados na Economia.
Com o republicano Reagan
na Presidência dos EUA, um novo grupo de poder se evidenciou no cenário
mundial, enquanto sua Administração usava e abusava do maior esquema de “Marketing
Pessoal” já desenvolvido no campo político: durante oito
anos, em dois mandatos consecutivos, Reagan consegue reger o hino da sua década
de prosperidade, mesmo diante de um mundo em desembalada erupção e de um
Congresso americano então dominado pelos democratas.
O presidente Reagan implementa
uma série de ousadas iniciativas econômicas e novas políticas. Sua política de
recuperação econômica através do estímulo à oferta (supply-side economics),
popularmente conhecida como Reaganomics, e que incluiu medidas de
desregulamentação e cortes de impostos, é implementada já no seu primeiro ano
de mandato em 1981.
Propaga-se que não existem problemas nos
EUA; entretanto, na realidade, 1981 é o último ano de superávit comercial dos
EUA. O governo Reagan tenta manter o seu país mais uma vez como a locomotiva
macroeconômica. Todavia, o que no passado pós 2ª Grande Guerra era tido e
descrito no sistema keynesianismo global como déficit de comércio
cíclico e, portanto, temporário porque sob controle, logo está transformado em
déficit de comércio estrutural permanente. E este déficit será cada vez mais
explosivo, jamais parando de crescer. Desde 1982, os EUA passam a conviver com
uma dívida que é a mais espetacular da história.
Apesar da necessária formatação de uma 2ª
fase global pós 2ª Guerra Mundial, a lógica nos EUA ainda reflete o
entrechoque dos ditames da boa economia e da política. Sem poder enfrentar a
realidade, Reagan, de início, patina na questão elementar: se
os EUA não têm problemas, como foi propagado na Campanha Eleitoral, como fazer
que a reestruturação econômica (desenlaçamento econômico do Estado) seja
considerada algo primordial e implementada?
A saída do presidente Reagan
foi desnudar o Estado norte-americano tendo por base a pátria mãe,
enquanto fazendo dupla com a Senhora Margareth Hilda
Thatcher, líder do Partido Conservador britânico e
primeira-ministra desde 1979.
No Reino Unido, Thatcher,
após derrotar os trabalhistas nas urnas, já havia inaugurado um governo de
profundas reformas econômicas, buscando enfrentar a decadência britânica por
meio da privatização de empresas estatais e da redução drástica do déficit
público.
Os Argumentos sempre nada confiáveis da CIA
Vale recordar as projeções confidenciais
de tendências econômicas da CIA que inexplicavelmente chegavam à imprensa com
grande alarde, sempre desinformando, dentre outros absurdos, que o produto
nacional bruto da URSS ultrapassaria o PNB dos EUA em 1984.
Não por obra do acaso, no outono de Tio
Sam em 1984, Reagan coloca no ar a seguinte mensagem pela televisão: “Há um
urso escondido na floresta. Para algumas pessoas, é fácil avistar o urso.
Outras entretanto, não conseguem vê-lo. Há quem diga que ele é feroz e
perigoso. Como não se sabe ao certo quem está com a razão, não seria prudente
nos tornarmos tão fortes quanto o urso – se é que ele existe?”
Então, diante dos relatórios confidenciais
da CIA que se multiplicam, intensificando os alertas sobre a reaparição do “Urso
da Floresta” (URSS), o presidente Reagan não se faz de
rogado e dobra o orçamento militar dos EUA até 1985. Depois, para incrementar o
“Marketing Pessoal”
com seus discursos sobre Segurança, Reagan
assume a defesa de um vasto programa de tecnologia avançada para conter e
controlar o “Império do mal” (soviético), nos moldes do filme Guerra
nas Estrelas.
Naquele ano de 1985, Ronald Reagan, reeleito para
seu segundo mandato, prediz: “Vocês ainda não viram nada”. Logo em
fevereiro já podíamos acreditar na profecia. O dólar é o rei verde, novamente;
e volta a ditar sua lei.
Mesmo depois de se submeter, em julho de
1985, a uma cirurgia para tratar um câncer no colo, o presidente Ronald
Reagan manteve o seu primeiro encontro com o líder soviético
(1985-1991) Mikhail Serguéievich Gorbachev ou Gorbatchev
(1931-), em Genebra. Naquele mês de novembro, os dois já estavam
conscientes dos riscos de tentar ser bombeiro e também piromaníaco, em escala
mundial. Os custos para apagar os incêndios que seus países provocavam na
Europa, na Ásia, na África e na América Latina – e, por extensão, no próprio
país do outro – não eram mais facilmente suportáveis.
O tempo dos Nikitas (Khruschev)
tinha que ser encerrado. Afinal, o preço para bater com o sapato na mesa da
Assembléia das Nações Unidas, e ameaçar enterrar as democracias, fazendo
parecer que tudo já estava acontecendo, ficou extremamente alto.
À histeria "GorbShow"
Impulsionados pela força do marketing da
Administração Reagan, os norte-americanos – e os habitantes das
adjacências e das Nações Amigas – logo passaram da histeria
anticomunista à histeria do "GorbShow". Foi um show
deslumbrante, realmente, começando pela dança dos câmbios.
Reagan e Gorbachev
também sabiam que o mundo não poderia continuar sob os antigos equilíbrios
concebidos em Bretton Woods (de 1° a 22 de julho de 1944, que dividiu
o mundo econômico) e Yalta (de 4 a 7 de setembro de 1945, quando Franklin
Delano Roosevelt(1881-1945), 32º presidente dos Estados Unidos, e Josef
Vissarionovitch Stalin (1878-1953), líder soberano da então União
Soviética, fizeram a terceira partilha mundial). Era essencial, portanto, gerar
um novo plano mundial, obviamente que tudo sendo acertado para fases
sucessivas, mantidas bem camufladas.
No curto prazo era preciso que o mundo
recuperasse a esperança e se esquecesse dos desastres da Challenger
(traumatização pela tragédia dos sete tripulantes, transmitida via satélite) e
de Chernobil (cidades fantasmas e quase 130 mil mortos, vítimas do
bombardeio de substâncias nucleares).
Naquele novembro de 1985, a saída foi
apertar as mãos, efusivamente. Reagan e Gorbachev
riram um riso contrafeito, mas entenderam-se. As mudanças radicais para conserto
do mundo precisavam ser implementadas. Assim, o diálogo interrompido há anos,
recobra as forças. Desde então, os encontros dos dois seriam freqüentes.
Querendo ou não, gostando ou não, e de
longe, todos nós víamos o que parecia ser o nascimento de uma Quarta Partilha
Mundial, sucessora do Império Romano, Tordesilhas e Yalta. Afinal, em 1985, o
mundo já não era mais tão bipolar como os EUA e a URSS ainda propagavam, pois
já havia uma forte exigência para uma redistribuição por quatro. O Japão, desde
1981, se apresentava como o primeiro credor líquido do mundo; e a formação da
atual União Européia quase uma realidade.
É lógico que não se sabe os detalhes do
que Reagan e Gorbachev decidiram; todavia, ao reler os eventos mundiais,
buscando entender as entrelinhas do que veio sendo tornado público, não resta
qualquer dúvida: eles tomaram decisões extremadas e de suma importância.
Em tabelinha com Gorbachev,
Reagan fez a Guerra Fria congelar de vez. Milhares de
soldados foram retirados das zonas tradicionalmente "sob proteção".
Os EUA diminuíram drasticamente sua presença na Europa e na Ásia, enquanto a
URSS abandonava seus países satélites na Ásia e na África. O exército vermelho
retirou-se do Leste.
Escândalo "Irã-Contras"
Em 1986, quando o "GorbShow"
dava ainda o tom de felicidade do “Marketing
Pessoal” de Reagan,
escondendo os detalhes do incidente doméstico da reforma tributária e os
verdadeiros problemas que se agravavam na Economia dos EUA, o escândalo
"Irã-Contras" estoura na imprensa internacional, envolvendo
assessores diretos do presidente.
Os ataques de que a Presidência dos EUA
teria vendido secreta e ilegalmente armas ao Irã, e usado os lucros (repassado
o dinheiro) para ajudar a rebelião dos "Contras" (guerrilheiros
anti-sandinistas da Nicarágua), envolvem Reagan no pior
escândalo político desde Watergate.
Em 20 de outubro de 1987, um tornado
abate-se sobre Wall Street, e a Bolsa perde US$ 500 bilhões,
22,6% de sua capitalização, num único dia. O último desse tipo havia sido em
1929. Coisa pequena! Seria uma advertência?
No ano seguinte, em dezembro, Reagan
e Gorbachev se encontraram de novo em Washington, e assinam o
primeiro acordo para a destruição de armas nucleares de médio alcance. Em maio
de 1988, em Moscou, os dois assinam documentos ratificando um tratado sobre
mísseis de curto e intermediário alcance.
Na reta derradeira das novas eleições
presidenciais dos EUA em 1988, o “Marketing
Pessoal” de Reagan,
enfim, consegue triunfar: coloca o Congresso dos EUA com maioria republicana e
seu sucessor, o também republicano George Herbert Walker Bush (1924-)
é eleito 41º Presidente dos EUA (1989-1993), prometendo dar continuidade à
política de reaproximação com a URSS.
Ao ser libertado do seqüestro (Golpe de
19 de agosto de 1991), Gorbachev em pouco tempo descobre que
tinha sido ultrapassado pelo desenrolar dos eventos, enquanto o “Marketing
Pessoal” de George H. W. Bush
logo se confirma absolutamente ineficiente.
Em pouquíssimo tempo, os ventos da
democracia e do capitalismo chegam aos países comunistas da Europa Central. O
Pacto de Varsóvia é denunciado e a URSS logo se fez em pedaços, dissolvendo-se
em 1991.
Para completar o espetáculo, a nova peça
Porvir fez – e ainda faz – desfilar pela Mídia internacional
centenas de escândalos políticos e financeiros, desnudando importantes atores
de idéias ou ideais antagônicos.
Nada acontece por simples obra do acaso.
Avaliando o grotesco contra-senso
Ronald Reagan assume a
Presidência dos Estados Unidos, em 1981, tendo pela frente o dólar na sua
maior baixa, a inflação americana na sua maior alta (12%) e a grande ironia monetária
da história mundial – tanto os devedores quanto os que emprestavam dependiam
cada vez mais dos bancos mundialistas; entretanto, ao sair da Casa
Branca, Reagan deixa o seu país diante do maior e mais grotesco
contra-senso: enquanto até a Europa Oriental corre para privatizar,
os EUA só fazem estatizar.
Desde 1982, nos registros estatísticos do
valor das transações efetuadas pelos EUA com o exterior, abrangendo balança
comercial, balança de serviços e movimentos de capital, o país só tem feito
acumular déficit, mês a mês, enquanto batendo recordes anuais no seu
extraordinário endividamento: na dívida externa, contraída com credores
estrangeiros, e na dívida interna, contraída dentro do país. Sem alternativa, a
Administração Reagan só fez tornar a Economia de Tio Sam
cada vez mais estatizada, pois sendo obrigada a subsidiar diversos
setores em crise. E tudo ficou muito mais complicado depois que a crise-recessão
atingiu grande parte da rede bancária dos EUA, no começo de 1991 (governo
Bush). Em cheio!
Se o Estado pesa sobre a renda, pesa
também sobre a economia, e, assim, inviabiliza os sistemas que devem estar
fomentar a produção, o consumo e a evolução da sociedade. Esta foi a lição que
o mundo inteiro, desde 1975, teve que aprender aos trancos e solavancos. Mas,
pelo jeito, os EUA foram uma das grotescas exceções.
"Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço."
Um triste moral!
Na dura constatação, o sistema
monetário-financeiro só fez acelerar sua expansão durante os dois mandatos de Reagan,
cuja política econômica privilegiou os juros altos, as isenções de impostos
nas operações financeiras e os cortes nos programas assistenciais. Tudo isto
encareceu a produção e agravou ainda mais o declínio competitivo americano,
independentemente da bem orquestrada dança dos câmbios que tranquilizou
a fantástica massa de dólares (80% da emissão total, dita "sob
controle") em circulação no mercado mundial.
E para completar todo esse despropósito
grave, é bom lembrar que os EUA consumiram mais de 12% do orçamento nacional em
gastos militares (US$ 400 bilhões anuais) no governo Reagan. O
país mais endividado tinha que ser o Xerife do mundo, e continuar servindo de
referência para o nível monetário mundial. Grotesco despautério!
Na terra de Ronald Reagan,
a teoria do desenlaçamento dos Estados da Economia foi uma boa
idéia que permaneceu tão-somente nos discursos elaborados pelos marketeiros
de Reagan (1981 a 1989) e Bush (1989-1993).
E o democrata William Bill
Jefferson Clinton (1946-), nascido William Jefferson Blythe
III e mais conhecido como Bill Clinton, que foi o 42º
presidente dos Estados Unidos, por dois mandatos, entre 1993 e 2001, é óbvio,
também nada mudou.
Em 1992, o democrata Bill Clinton
dá final aos 12 anos de sucessivos governos republicanos na Casa Branca.
O governo Clinton obtém êxito na recuperação acelerada da Economia dos EUA, e
consegue aprovar um pacote que, ao contrário de Reagan, aumenta impostos. Logo
depois, também no Congresso, Clinton aprova o Acordo de Livre
Comércio com o Canadá e o México (Nafta) e a conclusão da Rodada Uruguai do
GATT, com a promessa de permitir maior liberalização do comércio mundial.
Jogo
cíclico
No Brasil, já se apelou para caçadores
de marajás ou tão-somente resumiu-se o plano de governo numa solução
simplista com os cinco dedos da mão. Para o político profissional, a finalidade
única da política é ganhar eleição (ou a reeleição). Todas as energias dos
ditos homens de Estado são canalizadas para isso: exercer o poder pelo hábito
do poder.
O mais tenebroso é o que acontece quando,
como primeiro passo estratégico de um novo governo qualquer, se limpa o terreno
que antecessores tiveram o trabalho de minar, e, depois, ao final do
mandato, empenha-se em ajeitá-lo para o sucessor. Quando acontece que
é esse mesmo político que ganha a reeleição, sendo portanto o seu sucessor, o
jogo cíclico torna-se então absolutamente ridículo.
Essa é uma síntese do cenário político
global quando ritmado pelo enganoso “Marketing Pessoal”,
através do qual surgem novas excelências. Mas, é bom refletir! Não
custa optar pelo Marketing de Pessoas, uma vez que se tratando
de uma Pessoa verdadeiramente por excelência.
É importante considerar que existe uma
infinidade de livros de Biografias, que contam a história da vida de grandes
personagens que, por intuição ou planejamento por conta de tecnologias de
marketing, desenvolveram excelentes projetos de Marketing de Pessoas.
Muitos deles já estão imortalizados, mas suas Imagens e Marcas (Nomes)
sobrevivem aos séculos, às décadas, e nos chegam aos dias atuais.
É certo, entretanto, que mesmo os mais
eficientes esforços no “Marketing Pessoal”, não prevalecem por
mais de 10 anos.
Relembrar os principais acontecimentos
formadores das perigosas décadas de 70 e 80, com seus desdobramentos até os
dias atuais, é preciso para que se possa compreender em toda a sua plenitude o
fenômeno Ronald Reagan no “Marketing
Pessoal”. Não deixe de conhecer o conteúdo sob o título "1975".


